Goiânia

Audiência na Câmara de Goiânia debate impasse sobre corte de árvores no Lago das Rosas

A revitalização de um dos espaços públicos mais tradicionais de Goiânia tornou-se o centro de um acalorado debate político e social. Na última quarta-feira (10), a Câmara Municipal de Goiânia realizou uma audiência pública para discutir o projeto de reforma do Lago das Rosas, com foco especial na polêmica retirada de 48 árvores, medida que gerou resistência de moradores, especialistas e órgãos de controle.

O impasse técnico e a preocupação ambiental

O projeto da prefeitura, que visa a primeira grande reforma do parque em 15 anos, esbarrou em um diagnóstico divergente. Enquanto a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) sustenta que a supressão é necessária por questões de segurança — citando exemplares com comprometimento estrutural, ataques de pragas e risco de queda —, parte da comunidade e especialistas questionam a metodologia do laudo. A vereadora Kátia (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente, reforçou que a Casa não se opõe a melhorias, mas exige transparência.

“Existem exemplares que, nitidamente, parecem contrariar a necessidade de extirpação”, argumentou a parlamentar. O debate ganhou contornos de urgência após o Ministério Público de Goiás (MP-GO) intervir no processo, solicitando a suspensão dos cortes até que estudos ambientais mais detalhados sejam apresentados. O promotor Marcelo Fernandes de Melo questionou, inclusive, a inclusão de mudas e árvores jovens na lista de remoção.

Repercussão e a voz dos frequentadores

O Lago das Rosas é visto pela população como um refúgio democrático, essencial para o lazer e o microclima da capital. Durante a audiência, a diversidade de opiniões ficou evidente. Frequentadores como o cardiologista Dener expressaram preocupação com a perda de sombra e a descaracterização do espaço, enquanto outros moradores, como Lourdes, defenderam a remoção de espécimes que, segundo eles, apresentam riscos reais de queda em áreas de fluxo intenso.

O gerente de Arborização Urbana da Amma, Jeferson Pires Mendonça, fez um apelo por civilidade, destacando que as decisões técnicas visam evitar acidentes graves. Por outro lado, o movimento SOS Lago das Rosas mantém a pressão por um plano de manejo que priorize a preservação e a ancoragem de árvores em vez da remoção definitiva.

Cronograma e próximos passos da revitalização

Apesar da suspensão temporária dos cortes, a presidente da Amma, Zilma Peixoto, reiterou que as obras de revitalização seguem em curso, divididas em seis etapas com conclusão prevista para o final deste ano. O projeto inclui a reforma de banheiros, da sede administrativa, a requalificação do Castelinho e a criação de um espaço pet. O prefeito Sandro Mabel, que reconheceu anteriormente uma precipitação no início das ações, condicionou a continuidade da retirada de árvores à apresentação de laudos técnicos independentes.

O destino das árvores remanescentes agora aguarda o parecer conclusivo do Ministério Público. A Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Goiânia prometeu manter o acompanhamento rigoroso do caso, exigindo que o cronograma e o plano de manejo sejam disponibilizados publicamente.

O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos desta obra e o impacto das decisões sobre o patrimônio ambiental de Goiânia. Continue conosco para se manter informado sobre os temas que moldam a nossa cidade e o cotidiano da população, com a credibilidade e o compromisso que você já conhece.

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