Bisavó de 83 anos supera falha em oxigênio e faz questão de votar em Anápolis

A demonstração de compromisso cívico de uma idosa de 83 anos chamou a atenção durante o processo eleitoral em Anápolis, na região central de Goiás. Mesmo enfrentando um problema mecânico em seu equipamento de oxigênio no trajeto até a seção eleitoral, Maria do Rosário de Sousa Louzada fez questão de seguir em frente e registrar seu voto, acompanhada por familiares que se mobilizaram para garantir a sua participação.
O episódio mobilizou a família e destacou a determinação da eleitora, que considera o momento de exercer a cidadania uma prioridade inegociável. A história ganhou repercussão pelo esforço coletivo exigido para vencer as barreiras logísticas e de saúde que surgiram de última hora no dia da votação.
Determinação e superação de imprevistos no trajeto
No caminho rumo à urna, a família foi surpreendida por uma falha técnica em uma das peças do balão de oxigênio que auxilia a respiração de Maria do Rosário. Diante da pane no equipamento, o filho da idosa, Antônio Alex de Souza, precisou retornar rapidamente para casa para buscar uma peça substituta e normalizar o suporte vital antes de prosseguir com o deslocamento.
Apesar do contratempo e da preocupação com a saúde da mãe, que sofreu um acidente vascular cerebral há cerca de 20 anos e passou por uma cirurgia de ponte de safena, a vontade de participar do pleito prevaleceu. A cobertura completa do g1 Goiás detalhou como a família organizou toda a logística para que a idosa não perdesse a oportunidade de votar presencialmente.
A importância da participação e a saudade das urnas
O empenho de Maria do Rosário em comparecer à seção eleitoral tem raízes em uma forte tradição pessoal de engajamento cívico. Segundo relatos da família, a ausência na eleição anterior, período em que esteve internada, deixou a idosa profundamente chateada por não poder exercer o direito ao voto.
Além disso, o uso contínuo do oxigênio e as limitações físicas decorrentes de sua condição de saúde acabaram restringindo outras paixões e passeios que ela costumava realizar, como ir ao estádio para acompanhar partidas de futebol. Poder retornar às urnas representou, portanto, um momento de reconexão com a vida pública e com o hábito de participar ativamente das decisões da comunidade.
Exemplo de cidadania para as novas gerações
A força de vontade demonstrada pela bisavó repercutiu entre os familiares, que enxergaram na atitude uma lição valiosa sobre a importância do voto. Para a neta Eveline Prado Souza Pacheco, a jornada da avó serve como um contraste inspirador diante da apatia que muitas vezes atinge eleitores mais jovens, que contam com plena mobilidade e, por vezes, abrem mão de participar.
Acompanhada também pela irmã Raimunda, de 74 anos, com quem mantinha o costume antigo de votar junta, Maria do Rosário concluiu a jornada cívica cercada pelo afeto da família. A mobilização reforçou que, para além da obrigação legal, o voto permanece para muitos cidadãos como um ato simbólico de pertencimento, resistência e esperança no futuro.
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