Eleitoral: dono do Frigorífico Goiás é proibido pela Justiça de deslocar funcionários a Caldas Novas

A Justiça do Trabalho determinou que o empresário Leandro Batista Nóbrega e o Frigorífico Goiás não promovam eventos que afastem trabalhadores de seus domicílios eleitorais neste domingo (25), data do segundo turno das eleições. Em caso de descumprimento, a multa prevista é de R$ 100 mil por funcionário encontrado nessa situação.
A decisão liminar foi assinada na noite de sábado (24) pelo juiz Carlos Alberto Begalles, do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18), após solicitação do Ministério Público do Trabalho (MPT). O caso ganhou repercussão após a divulgação de vídeos nas redes sociais.
A proposta de viagem e o contexto eleitoral
O episódio veio à tona após Leandro divulgar uma gravação oferecendo mil vagas para uma viagem a Caldas Novas, município localizado no Sul de Goiás. A proposta incluía transporte, alimentação, bebidas, cerveja e picanha custeados pelo empresário.
No conteúdo publicado, o empresário afirmou que pretendia levar pessoas que votam em Goiânia e são apoiadoras do PT para a cidade turística durante o fim de semana da votação. Ele também incentivou seguidores a compartilhar a publicação e entrar em contato por mensagem privada para obter mais informações sobre as vagas disponíveis.
De acordo com os elementos apresentados no processo pelo Ministério Público do Trabalho, a iniciativa tinha como objetivo direto impedir que eleitores votassem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição.
Fundamentação jurídica e proteção ao voto
Na decisão, o magistrado estabeleceu que os envolvidos se abstenham de realizar qualquer evento que retire trabalhadores de suas bases eleitorais na data do pleito. Begalles ressaltou que o direito ao voto deve ser protegido e que a impossibilidade de comparecer às urnas é um prejuízo irreparável.
O juiz apontou ainda que práticas empresariais destinadas a impedir ou dificultar o exercício da cidadania podem representar violação de direitos fundamentais e configurar assédio eleitoral. A ordem judicial reforçou que a penalidade financeira visa coibir manobras que interfiram na livre escolha dos eleitores.
Repercussão e histórico do estabelecimento
Após a determinação, Leandro publicou uma imagem do documento judicial nas redes sociais e criticou a atuação do Judiciário, afirmando que a Justiça atua rapidamente quando se trata de punir figuras alinhadas à direita. Por sua vez, a defesa do Frigorífico Goiás informou que não oferece resistência ao cumprimento de ordens judiciais e que se manifestará formalmente após ter acesso integral ao processo.
O caso acontece após outro episódio envolvendo o posicionamento político do estabelecimento comercial. Em 2025, o frigorífico foi alvo de uma determinação judicial para a retirada de um cartaz com restrições a clientes petistas, gerando debates sobre limites de manifestações políticas em ambientes comerciais e corporativos.
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