Queimadas disparam em Manaus e municípios vizinhos após primeiro turno

Os registros de focos de calor na região metropolitana de Manaus e em municípios do entorno registraram um salto expressivo a partir do domingo do primeiro turno das eleições. Entre os dias 4 e 14 do mês de outubro de 2026, foram contabilizadas 5.598 novas atividades de fogo nessa área do estado do Amazonas. O volume representa uma alta de 321% em comparação ao período imediatamente anterior, que abrangeu os 11 dias compreendidos entre 23 de setembro e 3 de outubro.
Os dados foram levantados pelo Ipam (Instituto de Pesquisas da Amazônia) com base em informações fornecidas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). A área monitorada abrange a capital amazonense e outras 18 cidades da região. As informações são captadas pelo sensor VIIRS, a bordo do satélite Suomi NPP, equipamento utilizado em estudos de mudanças climáticas e monitoramento de condições meteorológicas na vegetação natural, em propriedades rurais e em terras públicas.
Aumento expressivo e dados históricos das queimadas
No acumulado de janeiro até o dia 14 de outubro, a região registrou 15.674 focos de calor. Desse total, a quantidade de registros computada logo após o primeiro turno das eleições equivale a 36% de todo o volume verificado ao longo de 2026. O patamar atual de ocorrências supera a mediana histórica para o período registrada desde 2015, ficando atrás apenas dos números observados no ano de 2023, quando a Amazônia enfrentou um cenário de seca extrema.
Especialistas apontam que o fenômeno El Niño tem exercido influência direta sobre o regime de chuvas e a umidade na Amazônia. Embora o período seco na região costume iniciar em junho com pico em setembro, os efeitos climáticos estenderam a estiagem e criaram bolsões de seca severa que facilitam a propagação das chamas em áreas de vegetação nativa.
Uso do fogo em terras públicas e florestas não destinadas
De acordo com o levantamento do Ipam, as chamadas FPNDs (Florestas Públicas Não Destinadas) concentraram 39% dos focos de calor mapeados na região entre janeiro e outubro. Essas áreas pertencem ao poder público, mas ainda não receberam uma destinação formal voltada à conservação ou ao uso sustentável, tornando-se alvos frequentes de ocupações irregulares. Outros 22,6% dos focos atingiram terras públicas diversas.
O monitoramento também indicou que 77% dos casos ocorreram em áreas de vegetação nativa, enquanto o restante afetou locais que já haviam sofrido algum tipo de intervenção humana, como pastagens. A diretora de ciência do Ipam, Ane Alencar, avalia que o padrão sugere o uso proposital do fogo para degradar e ocupar áreas públicas de maneira mais rápida e barata do que com o uso de maquinário pesado.
Ações de combate e impacto humanitário da estiagem
Diante do agravamento dos incêndios e da estiagem prolongada, o governo federal anunciou o reforço das ações de combate com o apoio das Forças Armadas. A atuação ocorre de forma integrada com órgãos ambientais federais e estaduais para conter o avanço das chamas na capital e no interior do estado.
Os reflexos da seca e da fumaça atingem diretamente a população local. A Defesa Civil estadual informou que mais de 104 mil famílias foram afetadas pelo quadro de estiagem. Atualmente, dezenas de municípios encontram-se em situação de emergência, alerta ou atenção, enquanto o Corpo de Bombeiros mantém operações diárias para conter incêndios urbanos e florestais em meio a um decreto estadual que proíbe o uso do fogo.
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