Justiça reconhece violência política de gênero contra equipe de candidata no Rio

Decisão judicial sobre o caso
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE/RJ) emitiu uma decisão liminar que marca um precedente importante no combate à violência política de gênero. A magistrada Maria Paula Gouvêa Galhardo reconheceu a existência de indícios de intimidação contra a equipe da candidata a deputada estadual Luciana Boiteux (Psol), durante atividades de campanha na capital fluminense.
A relatora do caso destacou que as ações de assédio contra as colaboradoras da campanha não são fatos isolados, mas estratégias que atingem diretamente a candidata, visando obstruir o pleno exercício de sua atividade eleitoral. A decisão determina a remoção imediata de três vídeos publicados na plataforma TikTok pelo perfil @patriota22raiz, além de exigir que a empresa ByteDance Brasil identifique os responsáveis pelas postagens.
Contexto da abordagem na Barra da Tijuca
Os episódios que motivaram a representação ocorreram no dia 2 de setembro, nas proximidades da estação Jardim Oceânico, localizada na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Durante uma ação de panfletagem, mulheres que integravam a equipe de Luciana Boiteux foram abordadas e filmadas sem consentimento, em um cenário que a justiça classificou como hostil.
A análise das imagens foi fundamental para a decisão da juíza. O material mostra claramente o desconforto das trabalhadoras: uma delas tenta se proteger cobrindo o rosto, enquanto outra evita o contato visual, evidenciando o constrangimento. Para o tribunal, essa exposição forçada configura uma violação direta à honra e à dignidade das mulheres envolvidas, enquadrando-se nas previsões do Código Eleitoral, especificamente no artigo 326-B, que trata da violência política de gênero.
Relevância jurídica e social
A interpretação da magistrada amplia o entendimento sobre como a violência política se manifesta no ambiente digital e físico. Ao reconhecer que o ataque à equipe é uma forma indireta de agredir a candidatura feminina, o TRE/RJ reforça a proteção necessária para que mulheres ocupem espaços de poder sem serem submetidas a intimidações sistemáticas.
O caso sublinha a necessidade de maior rigor no monitoramento de conteúdos que utilizam a exposição de trabalhadores como ferramenta de propaganda eleitoral agressiva. A decisão serve como um alerta para que o debate democrático não seja substituído por práticas de assédio e cerceamento da liberdade de atuação política. O portal O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos deste processo e os impactos das decisões judiciais na integridade do processo eleitoral brasileiro, mantendo o compromisso com a informação precisa e contextualizada para nossos leitores.




