Carlos Viana aciona Conselho de Ética contra Alcolumbre por travar impeachment de Moraes

O cenário político em Brasília ganhou um novo capítulo de tensão com a formalização de uma representação no Conselho de Ética do Senado Federal. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) anunciou publicamente ter protocolado o pedido contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), alegando a falta de andamento em múltiplos requerimentos de abertura de processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A iniciativa de Viana não se limitou à representação. O congressista também incluiu um pedido cautelar para o afastamento de Alcolumbre da presidência da Casa, intensificando a pressão sobre a liderança do Senado. A medida, divulgada nas redes sociais do senador, sinaliza uma escalada na disputa política e institucional, com Viana afirmando que “o Senado terá que enfrentar a questão”.
Carlos Viana aciona Conselho de Ética e pede afastamento de Alcolumbre
A decisão de Carlos Viana de levar o caso ao Conselho de Ética não foi repentina. O senador já havia sinalizado a possibilidade de protocolar a denúncia, estabelecendo um prazo para que Davi Alcolumbre tomasse providências. Viana havia publicado em suas redes sociais um ultimato: “Davi Alcolumbre tem até amanhã, 3 de setembro, às 12h para dar o encaminhamento institucional que essa situação exige. Se nada for feito, vou apresentar formalmente as medidas cabíveis para buscar seu afastamento da Presidência do Senado”.
A representação formaliza a insatisfação de Viana e de outros parlamentares da oposição com a postura de Alcolumbre. Para eles, a recusa em dar seguimento aos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes configura uma subserviência do Poder Legislativo ao Judiciário, comprometendo a autonomia do Senado e a separação dos Poderes. A ação busca forçar uma discussão que, segundo Viana, é fundamental para a independência da Casa.
Pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes no centro da disputa
O pano de fundo para a representação de Carlos Viana são os diversos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. Esses requerimentos ganharam força após a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) que trouxe à tona conversas entre o magistrado e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O conteúdo do relatório, tornado público por determinação do ministro-relator André Mendonça, alimentou as alegações de conduta imprópria.
Vários parlamentares da oposição assinaram os pedidos, expressando preocupação com a proximidade e o teor dos diálogos revelados. A senadora Damares Alves, por exemplo, obteve 41 assinaturas em um de seus pedidos, demonstrando a amplitude do movimento. A inação de Alcolumbre em pautar esses pedidos é vista pelos críticos como uma blindagem ao ministro do STF, impedindo que o Senado cumpra seu papel fiscalizador.
Relatório da Polícia Federal detalha contatos e preocupações
O relatório da PF, que se tornou o pivô dessa crise, detalha uma sequência de contatos entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o documento, Vorcaro manifestou preocupação com uma possível ação contra ele e mencionou, em mensagens enviadas a um número atribuído a Moraes, a necessidade de procurar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Um ponto de destaque no relatório é a dificuldade em recuperar o conteúdo das respostas atribuídas ao ministro, que teriam sido enviadas em mensagens de visualização única. A corporação também apontou um contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci, no valor de R$ 3 milhões mensais por assessoria jurídica, e tratativas sobre eventos com Moraes em Londres. Os metadados de um documento relacionado ao contrato indicavam um usuário chamado “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável pela última alteração.
Além disso, Paulo Gonet, atual procurador-geral da República, também é citado nas conversas. O histórico de mensagens revelou que ele e Vorcaro chegaram a conversar por telefone e que o procurador teria solicitado ao banqueiro o custeio da passagem e da hospedagem de seu filho para um evento jurídico patrocinado pelo Banco Master em Londres, que acabou sendo cancelado. É importante ressaltar, contudo, que a PF fez a ressalva de que não realizou diligências investigativas contra magistrados ou membros do Ministério Público e não concluiu que Moraes tenha cometido crime, interferido em apurações ou atendido a pedidos de Vorcaro, conforme o relatório disponível em fontes oficiais.
A ‘chave do Senado’ e a tensão entre Poderes
A retórica de Carlos Viana sobre “buscar de volta a chave do Senado” ressoa com a percepção de que o Legislativo estaria perdendo sua autonomia frente ao Judiciário. A frase, carregada de simbolismo, sugere que a presidência do Senado, na visão de Viana, não tem atuado como guardiã dos interesses do povo brasileiro, mas sim de outros Poderes. “Essa chave não pertence ao STF, ao Governo ou a quem ocupa a Presidência. Pertence ao povo brasileiro. (…) É hora de pegar a chave de volta”, declarou o senador.
Essa disputa reflete uma tensão crescente entre os Poderes, com acusações mútuas e um debate acalorado sobre os limites de atuação de cada um. A representação no Conselho de Ética contra Alcolumbre, portanto, não é apenas um ato isolado, mas um sintoma de um embate político e institucional mais amplo, que busca redefinir o equilíbrio de forças na República.
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