Notícias

Síndico acusado de matar corretora em Caldas Novas é indiciado por desviar mais de R$ 100 mil do condomínio

O síndico Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, já preso e acusado pelo brutal assassinato da corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos, e seu filho, Maicon Douglas, foram formalmente indiciados pela Polícia Civil de Goiás. A nova acusação refere-se ao desvio de mais de R$ 106 mil em verbas do condomínio onde Cleber residia, em Caldas Novas, para benefício próprio. Este desdobramento adiciona uma camada de complexidade e gravidade ao caso que chocou a região, revelando um padrão de conduta que vai além do crime de homicídio.

As investigações apontam para uma série de irregularidades financeiras que teriam sido cometidas por Cleber durante sua gestão como síndico. Os valores desviados, que ultrapassam a marca de R$ 106,4 mil, foram detalhados em documentos da apuração obtidos pela TV Anhanguera, evidenciando um uso indevido e sistemático dos recursos da associação de moradores.

Detalhes do Indiciamento por Desvio de Verbas

Entre os gastos questionados pela Polícia Civil, destacam-se despesas que somam R$ 25,2 mil em postos de combustíveis, um montante considerado exorbitante e sem justificativa clara para as necessidades do condomínio. Além disso, foram identificados R$ 4,4 mil destinados à manutenção de veículos, apesar de a associação de moradores não possuir frota própria, levantando sérias dúvidas sobre a legitimidade desses pagamentos.

A auditoria externa contratada pela nova gestão do condomínio revelou que os desvios se estenderam também para o pagamento de contas de planos telefônicos, totalizando R$ 3 mil entre os anos de 2023 e 2025. Outra irregularidade grave envolveu o uso de R$ 28,1 mil para quitar escrituras de imóveis, sugerindo a apropriação de bens ou a cobertura de transações pessoais com dinheiro do condomínio.

O inquérito detalha ainda que Cleber Rosa teria alugado um apartamento para terceiros, apresentando o imóvel como se fosse de sua propriedade, e recebido dois meses de aluguéis, no valor de R$ 2,6 mil. A situação mais chocante, contudo, envolve o uso de R$ 18 mil do fundo do condomínio para custear os honorários do escritório de advocacia que defendeu Cleber no início do processo pela morte da corretora Daiane Alves. Segundo o delegado Tiago Ferrão, responsável pelo caso, o dinheiro foi transferido inicialmente para a conta de Maicon Douglas, filho de Cleber, e posteriormente repassado aos advogados, o que levou ao indiciamento de Maicon por sua participação nos desvios.

A Trama do Homicídio da Corretora Daiane Alves

O indiciamento por desvio de verbas se soma ao grave processo de homicídio qualificado e ocultação de cadáver que Cleber Rosa enfrenta. A corretora Daiane Alves de Souza desapareceu em 17 de dezembro, após enviar vídeos a uma amiga enquanto se dirigia ao subsolo do prédio para verificar a caixa de energia de seu apartamento. O caso ganhou contornos dramáticos com a prisão de Cleber em 28 de janeiro, quando ele confessou o crime e indicou o local onde havia deixado o corpo da vítima, em uma área de mata a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas.

A investigação revelou detalhes perturbadores, como a descoberta do celular de Daiane em uma caixa de esgoto do prédio, 41 dias após o desaparecimento. O aparelho continha um vídeo crucial que mostrava o momento em que ela foi atacada pelo síndico no subsolo. Nas imagens, Cleber aparece aguardando a corretora com luvas nas mãos, um indício forte de premeditação. A perícia técnica concluiu que Daiane foi morta com dois tiros na cabeça, provavelmente fora do prédio, pois os disparos seriam ouvidos na recepção, conforme informou o delegado André Luiz Barbosa à época.

Conflitos e Motivações que Levaram ao Crime

A motivação para o assassinato, segundo a polícia, reside em um histórico de brigas e desavenças entre Cleber e Daiane, que escalaram para processos judiciais. Os conflitos tiveram origem na administração dos seis apartamentos da família da vítima, que antes era realizada pelo síndico. Quando a gestão foi transferida para Daiane, a relação entre eles se deteriorou rapidamente.

Ao todo, 12 processos judiciais envolviam Cleber e Daiane. O Ministério Público de Goiás (MP-GO) chegou a denunciar o síndico por perseguição contra a corretora, acusando-o de usar sua posição para criar obstáculos à rotina dela, monitorá-la por meio do sistema de câmeras do condomínio e submetê-la a constrangimentos. Esse histórico de animosidade e abuso de poder lança luz sobre a complexa teia de eventos que culminou na tragédia.

Repercussão e Próximos Passos na Justiça

A comunidade de Caldas Novas acompanha o desenrolar do caso com atenção, dada a gravidade das acusações e o impacto na segurança e confiança nos administradores de condomínios. Cleber Rosa permanece preso desde janeiro, respondendo agora não apenas por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, mas também pelas acusações de desvio de verbas e associação criminosa, em um processo que promete ser longo e complexo. A atuação da Polícia Civil e a auditoria independente foram cruciais para desvendar a extensão dos crimes financeiros, garantindo que a justiça seja buscada em todas as frentes.

Para continuar acompanhando as atualizações deste e de outros casos relevantes, assim como análises aprofundadas sobre temas que impactam a sua vida e a sua comunidade, visite O Parlamento. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, atualizada e contextualizada, para que você esteja sempre bem informado sobre o que realmente importa.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo