Documentos indicam plano de concessão do Serra Dourada antes de investimento milionário
Documentos obtidos pelo portal Goiás24Horas revelam que o governo de Goiás estruturava a entrega do estádio Serra Dourada à iniciativa privada paralelamente ao desembolso de recursos públicos em reformas no complexo. O planejamento, que teve início em 2021, levanta questionamentos sobre a eficiência do gasto estatal, uma vez que o valor investido em melhorias superou a outorga final da concessão.
A cronologia dos fatos aponta que, em 10 de agosto de 2021, o Estado firmou um termo de cooperação com a Goiás Parcerias. O objetivo era realizar estudos técnicos para viabilizar a modernização e a futura concessão do estádio. Mesmo com o projeto em andamento, o governo seguiu com licitações para obras estruturais no local.
Cronologia de gastos e o processo de concessão
Em abril de 2022, o governo estadual contratou a reforma dos sanitários do estádio por R$ 2.665.042,42. A entrega dos 32 banheiros ocorreu em fevereiro de 2023, período em que a Goiás Parcerias já sinalizava que os estudos para o edital de concessão estavam em estágio avançado. Pouco tempo depois, em julho de 2023, foi aberto o Procedimento de Manifestação de Interesse para a gestão do complexo.
Apesar do cenário de transição para a iniciativa privada, o Estado licitou, em agosto de 2023, a instalação de um novo sistema de iluminação. O projeto, que custou R$ 13,6 milhões, contemplou a instalação de 412 refletores de LED. Somando os valores das reformas dos banheiros e da iluminação, o montante investido pelo poder público atingiu pelo menos R$ 16,3 milhões.
Desfecho do leilão e impacto financeiro
O novo sistema de iluminação teve curta utilização sob gestão direta do Estado, sendo inaugurado em 2 de fevereiro de 2025, durante o clássico entre Vila Nova e Goiás. Apenas dois dias após a estreia da nova tecnologia, ocorreu o leilão do estádio. A empresa Construcap, única participante do certame, arrematou a concessão pelo valor de R$ 10 milhões.
O contraste entre o valor investido e o montante arrecadado na outorga gerou críticas sobre a gestão dos recursos públicos. O contrato de concessão, que possui vigência de 35 anos, estabelece que a concessionária deve realizar investimentos obrigatórios na ordem de R$ 215 milhões, além de outros R$ 45 milhões em aportes eletivos. A transição definitiva para a operação privada foi consolidada em novembro de 2025, após o estádio receber apenas sete partidas oficiais com a nova iluminação sob administração estatal.
O caso reforça a importância do acompanhamento rigoroso das políticas de parcerias público-privadas e da transparência na aplicação do erário em bens que, futuramente, serão explorados por entes privados. Para mais análises sobre a administração pública e os desdobramentos de grandes obras no estado, continue acompanhando O Parlamento, seu portal de informação contextualizada e compromisso com o interesse público.
Para mais detalhes sobre o histórico do processo, consulte a fonte original no Goiás24Horas.




