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Ex-presidente da Câmara de São Paulo se entrega à polícia e é preso em operação contra o PCC

O cenário político e de segurança pública na capital paulista foi abalado nesta sexta-feira (18) com a notícia da prisão de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Após ser considerado foragido desde a quinta-feira (17), Leite se apresentou às autoridades em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, e foi detido por força de um mandado de prisão temporária, com validade de 30 dias. A ação faz parte de uma ampla investigação que apura a suposta ligação entre empresas de ônibus e a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), um tema de grande relevância para a segurança e a gestão urbana.

A prisão de uma figura política de alto escalão como Leite sublinha a seriedade das acusações e o aprofundamento das investigações sobre a infiltração do crime organizado em setores estratégicos da administração pública. O caso levanta questionamentos importantes sobre a integridade dos serviços públicos e a influência de grupos criminosos na vida cotidiana das cidades, especialmente no transporte coletivo, essencial para milhões de cidadãos.

A Operação Vectura Corrupta e as Suspeitas

A investigação, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, culminou na deflagração da Operação Vectura Corrupta. O foco principal é desvendar um esquema onde empresas de ônibus, que operam linhas de transporte coletivo em diversos municípios paulistas, teriam passado a ser controladas por integrantes do PCC após a obtenção de licitações. Essa dinâmica, se confirmada, representa um grave risco à segurança pública e à economia, desviando recursos e comprometendo a qualidade dos serviços.

Os investigadores apontam que Milton Leite seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, uma das empresas que gerenciou por anos linhas de ônibus na capital paulista. O contrato da Transwolff com a prefeitura foi inclusive rompido em abril de 2024, sob suspeita de envolvimento com a facção. O pedido de prisão contra o ex-vereador, segundo as autoridades, baseia-se em menções de seu nome por terceiros em duas circunstâncias distintas, indicando um elo com as atividades ilícitas.

O Envolvimento de Milton Leite e Sua Defesa

Antes de sua apresentação, Milton Leite havia sido procurado em seu endereço residencial na quinta-feira (17), mas não foi localizado, sendo então considerado foragido. Ele havia prometido se apresentar em até 24 horas e, desde o início das acusações, negou veementemente qualquer envolvimento com o crime organizado. Em declaração, Leite afirmou: “Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolff].”

A defesa do ex-vereador sustenta que sua atuação no setor de transportes sempre foi institucional, pautada por demandas da gestão municipal. No entanto, a investigação prossegue para apurar a veracidade dessas alegações e a extensão de seu suposto envolvimento. A complexidade do caso reside na teia de relações entre o poder público, o setor privado e o crime organizado, exigindo uma apuração minuciosa para desvendar todos os elos.

Outros Alvos e o Alcance da Investigação

A Operação Vectura Corrupta não se restringiu a Milton Leite. Ao todo, 16 pessoas foram alvo de ordens de prisão e 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversas cidades, incluindo São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Em uma das buscas, realizada em Sorocaba na residência de um assessor ligado a Leite, as autoridades apreenderam cerca de R$ 740 mil em dinheiro vivo, parte em dólares, reforçando as suspeitas de movimentação financeira ilícita.

Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, que presidiu a SPTrans entre 2019 e fevereiro de 2025. A investigação revelou que ele teria tido encontros periódicos com José Daniel Satilite, outro investigado por suposta ligação com o PCC, para tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transporte público. A Polícia Civil, por sua vez, expressa a visão de que existem elos da facção criminosa em todas as empresas que operam linhas de bairro em São Paulo, evidenciando a profundidade do problema. Há também a suspeita de corrupção de funcionários públicos e de envolvimento do PCC no financiamento de campanhas eleitorais para prefeitos e vereadores, tanto nas eleições de 2024 quanto na disputa atual, o que adiciona uma camada ainda mais preocupante à investigação.

A Posição da Prefeitura de São Paulo

Diante da gravidade das denúncias e do andamento da operação, a Prefeitura de São Paulo emitiu uma nota oficial. O comunicado reafirma que a intervenção determinada pela gestão na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida “firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte”. A prefeitura destacou que agiu com rigor desde o início das investigações, inclusive encerrando o contrato com a empresa, a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.

A administração municipal reforça que a operação realizada nesta quinta-feira (17) “reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura” e que colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários para o avanço das apurações. Essa colaboração é crucial para garantir a transparência e a efetividade do combate à corrupção e à infiltração criminosa em serviços essenciais.

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