Ex-presidente do Jóquei Clube de Goiás se defende em ação judicial e justifica falta de registros

O Jóquei Clube de Goiás, uma das instituições mais tradicionais do estado, encontra-se no centro de uma disputa administrativa e judicial que levanta questões sobre transparência e a guarda de documentos históricos. O médico Fausto Gomes, que presidiu o clube, pronunciou-se publicamente após a atual diretoria, liderada por Nívea Ribeiro de Paula, ingressar com uma Ação de Exigir Contas, buscando uma série de documentos essenciais para a gestão da associação.
A controvérsia gira em torno da ausência de registros contábeis, fiscais e previdenciários, cuja falta, segundo a atual gestão, impede a administração adequada do clube. Fausto Gomes, por sua vez, refuta as acusações de irregularidade, alegando que a situação precária e a falta de documentação são um problema crônico que antecede sua própria gestão.
A Ação de Exigir Contas e a Cobrança da Atual Gestão
A Ação de Exigir Contas é um instrumento jurídico utilizado para compelir alguém a prestar contas de bens, valores ou negócios que administrou em nome de outrem. No contexto do Jóquei Clube de Goiás, a medida foi adotada pela presidente Nívea Ribeiro de Paula para obter os documentos que, segundo ela, são cruciais para a continuidade administrativa e a regularização da entidade. A lista de itens solicitados inclui registros contábeis, que detalham as movimentações financeiras; documentos fiscais, que comprovam o cumprimento das obrigações tributárias; e previdenciários, relacionados a funcionários e contribuições sociais.
A ausência desses registros pode gerar sérios entraves para qualquer organização, desde a impossibilidade de comprovar a regularidade fiscal até dificuldades em obter financiamentos ou parcerias. Para um clube com a história do Jóquei, a falta de transparência documental pode minar a confiança dos associados e da comunidade, além de expor a instituição a riscos legais e financeiros.
A Defesa de Fausto Gomes: Um Clube sem Registros Históricos
Em entrevista, Fausto Gomes apresentou sua versão dos fatos, pintando um cenário de abandono e desorganização que, segundo ele, já existia quando assumiu a presidência em 2020. O ex-presidente afirmou que o clube não possuía esses documentos há “vários e vários anos, há várias gestões atrás”, descrevendo o prédio como “sucateado” e os registros antigos, como prestações de contas e fichas de sócios, como inexistentes.
Gomes detalhou que, mesmo antes de sua chegada, o Jóquei Clube já operava sem funcionários, o que, por si só, impossibilitava a geração de documentos como os do INSS e as prestações de contas trabalhistas. Outro ponto crucial em sua defesa é a situação do imóvel do clube, que, durante parte de sua gestão, não estava sob a jurisdição do Jóquei, mas sim sob a posse de uma faculdade. A retomada do prédio, conforme Fausto, ocorreu apenas próximo à transição para a atual diretoria, complicando ainda mais a organização documental.
Transição de Gestões e a Questão da Continuidade Administrativa
A complexidade da situação é acentuada pela menção de Fausto Gomes à sua antecessora, Ivana Menezes, que, segundo ele, também não entregou prestações de contas. Curiosamente, Ivana seria atualmente membro da gestão de Nívea de Paula, o que, para Gomes, sugere uma continuidade do problema. “A mesma coisa que aconteceu com a gente é o que está acontecendo agora. Não tinha prestação de contas também na gestão da Ivana”, destacou o ex-presidente.
Fausto Gomes garantiu que, assim que for notificado oficialmente pela Justiça, entregará todos os documentos que possui, que seriam os poucos levantados durante seu período à frente do clube. Ele expressou lamento pela postura da atual gestão, que, em sua visão, poderia ter buscado um diálogo prévio antes de recorrer à via judicial. “Nós não recebemos nenhum telefonema, nenhuma mensagem de WhatsApp, nenhum documento protocolado. Não recebemos nenhum ofício, nada. Foi até uma surpresa para a gente”, afirmou Gomes, indicando uma falha na comunicação entre as diretorias.
Implicações e o Futuro do Jóquei Clube de Goiás
A disputa judicial e a ausência de documentos no Jóquei Clube de Goiás ressaltam a importância da governança e da memória institucional para a sobrevivência de entidades civis. A falta de registros pode inviabilizar a comprovação da legalidade de atos passados, dificultar a prestação de contas a órgãos fiscalizadores e até mesmo comprometer a legitimidade da própria diretoria. Para os associados e para a comunidade goiana, a resolução dessa questão é fundamental para garantir a transparência e a viabilidade futura do clube.
O caso do Jóquei Clube de Goiás serve como um alerta sobre a necessidade de rigor na gestão de associações e clubes, independentemente de seu porte ou situação financeira. A continuidade administrativa, a guarda de documentos e a comunicação eficaz entre as gestões são pilares para a saúde e a longevidade de qualquer instituição. A expectativa agora é que o processo judicial traga clareza e soluções para a crise documental, permitindo que o clube possa se reestruturar e seguir adiante. Para mais informações sobre processos judiciais e gestão de entidades, clique aqui.
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