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Gilmar Mendes volta a classificar André Mendonça como pixuleco eleitoral

O clima no Supremo Tribunal Federal (STF) segue tenso após novos embates entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça. Nesta quinta-feira (17), o decano da Corte utilizou suas redes sociais para reiterar críticas contundentes ao colega, classificando-o novamente como um “pixuleco eleitoral”. A controvérsia gira em torno da condução de informações relacionadas ao chamado caso Master, que envolve o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Defesa da reputação de Paulo Gonet

A manifestação de Gilmar Mendes surgiu como uma defesa direta à postura e à imagem de Paulo Gonet. O ministro criticou severamente a decisão de retirar o sigilo de conversas que citam o procurador-geral, argumentando que a exposição pública foi desnecessária e prejudicial. Para o decano, os diálogos em questão não apresentam qualquer indício de ilicitude, tornando a divulgação um ato de exploração política.

Durante a sessão plenária realizada na última terça-feira (15), o próprio Gonet afirmou ter recebido com satisfação o reconhecimento de Mendonça de que os elementos reunidos não apontavam irregularidades em sua conduta. Contudo, para Gilmar, o gesto tardio não foi suficiente para reparar os danos causados pela exposição pública, que ele considera ter motivações externas ao rito jurídico.

O embate entre os ministros no plenário

A expressão “pixuleco eleitoral”, utilizada por Gilmar Mendes, já havia sido proferida durante a sessão extraordinária do STF. Na ocasião, o decano questionou o momento escolhido para a publicidade das informações, sugerindo que a manobra possuía um viés político-eleitoral claro. André Mendonça, em resposta imediata, exigiu respeito e refutou as insinuações de seu colega de tribunal.

A discussão no plenário, que tratava de uma questão de ordem sobre a tramitação conjunta das Petições 16.662 e 16.704, acabou interrompida por um pedido de vista do ministro Flávio Dino. O mérito das investigações ainda não foi apreciado pelos magistrados, mas o incidente expôs a fragilidade das relações internas e a divergência sobre a condução de processos sensíveis.

Contexto histórico e paralelos com a Lava Jato

Em sua publicação, Gilmar Mendes não se limitou a criticar o episódio atual. O ministro traçou um paralelo entre a atuação que atribui a Mendonça e as práticas adotadas durante a Operação Lava Jato. Segundo o decano, a estratégia de utilizar vazamentos e a retirada seletiva de sigilo para gerar efeitos políticos antes de decisões judiciais remete a métodos que ele frequentemente combate em seus votos e declarações públicas.

O ministro também associou a divulgação das informações ao calendário eleitoral e às proximidades do 7 de Setembro. Por sua vez, Paulo Gonet negou qualquer proximidade indevida com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O procurador-geral descreveu um encontro ocorrido em abril de 2024 como um evento formal, na presença de outras autoridades, e classificou uma ligação telefônica como algo “brevíssima e banal”.

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