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Além da picanha: ranking mundial elege os cortes favoritos do churrasco brasileiro

A nova hierarquia do churrasco brasileiro

O churrasco é mais do que uma técnica culinária no Brasil; é um pilar da identidade cultural que movimenta tradições e reuniões familiares em todo o território nacional. Recentemente, um ranking internacional de gastronomia trouxe uma perspectiva que desafia o senso comum dos brasileiros: a picanha, historicamente celebrada como a “rainha das carnes”, perdeu o posto de protagonista absoluta para cortes que unem sabor, técnica e, fundamentalmente, acessibilidade.

Essa mudança de paradigma reflete não apenas uma alteração no paladar dos consumidores, mas também uma adaptação econômica diante da valorização das carnes no mercado interno. Enquanto a picanha mantém seu status de ícone, cortes como a fraldinha e a costela ganharam destaque por oferecerem experiências sensoriais ricas, muitas vezes com um custo-benefício mais atrativo para o churrasqueiro doméstico.

Fraldinha e costela: a ascensão dos cortes tradicionais

A fraldinha, que conquistou o topo do levantamento, consolidou-se como a escolha preferida de quem busca qualidade sem abrir mão da economia. Com preços que oscilam entre R$ 35 e R$ 45 o quilo, o corte exige, contudo, um conhecimento técnico específico. Por possuir fibras posicionadas horizontalmente, o segredo para garantir a maciez no prato está no corte transversal, realizado na vertical das fibras. Essa atenção aos detalhes transforma uma peça acessível em uma iguaria de alta gastronomia.

Logo atrás, a costela reafirma a força da tradição gaúcha. Seja no fogo de chão ou na churrasqueira a bafo, o preparo lento é o que define o sucesso deste corte. O processo de cozimento prolongado permite que a gordura derreta e penetre nas fibras, resultando em uma carne que se solta facilmente do osso. É um exemplo claro de como a paciência e o controle da brasa podem elevar ingredientes simples a um patamar de excelência reconhecido mundialmente.

Contrafilé e a versatilidade na grelha

O contrafilé permanece como um dos pilares do churrasco, sendo valorizado pela sua camada de gordura lateral e pela textura macia. Retirado da região lombar do boi, entre a costela e a alcatra, ele é a base para diversos cortes gourmet que ocupam as churrasqueiras de todo o país. Especialistas reforçam que, para obter o melhor resultado ao assar a peça inteira, é fundamental remover o nervo localizado abaixo da gordura, evitando que a carne adquira uma textura borrachuda durante o consumo.

O cenário econômico e o futuro do churrasco

A oscilação da picanha no topo dos rankings não é um fenômeno isolado. Com valores que frequentemente atingem a faixa de R$ 60 a R$ 70 por quilo, o corte tornou-se um item de consumo mais esporádico. Essa realidade impulsionou a busca por alternativas versáteis e saborosas, provando que a cultura do churrasco no Brasil é dinâmica e resiliente. O reconhecimento internacional desses cortes reforça que o Brasil, independentemente da peça escolhida, continua sendo uma referência global incontestável na arte de assar carnes.

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