Saúde

Diarreia e dor abdominal são sinais cruciais para diagnóstico precoce

A persistência de sintomas como diarreia e dor abdominal pode ser um sinal de alerta para condições mais sérias, como as doenças inflamatórias intestinais (DIIs). Para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, o mês de maio é marcado pela campanha Maio Roxo, uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e outras instituições. No Brasil, estima-se que cerca de 0,1% da população seja afetada por essas enfermidades, que, se não identificadas a tempo, podem progredir e causar complicações significativas.

As DIIs, que incluem a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, são condições crônicas que se manifestam por uma inflamação no trato gastrointestinal, muitas vezes sem uma causa externa definida, sendo ocasionadas pelo próprio sistema imunológico do paciente. Embora possam surgir em qualquer fase da vida, há uma maior prevalência em adultos jovens, na faixa dos 20 a 30 anos, e em idosos, por volta dos 60 e 70 anos, reforçando a necessidade de atenção contínua aos sinais do corpo.

Sinais de alerta: quando procurar um especialista

A identificação dos sintomas é o primeiro passo crucial para o diagnóstico e tratamento das doenças inflamatórias intestinais. Em entrevista concedida ao programa Tarde Nacional, da Rádio Nacional Amazônia, em maio de 2026, a médica Mariane Savio, integrante da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, enfatizou a importância de não ignorar os sinais que o corpo apresenta.

“É muito importante procurar um especialista. Às vezes os sintomas podem passar batidos, e a doença progredir. Então, diarreia persistente, principalmente por mais de quatro semanas, mais de um mês, merece investigação, dor abdominal que esteja incomodando também merece uma visita ao médico, emagrecimento, anemia, tudo isso tem que ser investigado”, explicou a especialista.

Além da diarreia crônica e da dor abdominal, outros indicadores como perda de peso inexplicável e anemia podem ser indícios de que algo não está bem no sistema digestivo. Esses sintomas, quando persistentes, exigem uma avaliação médica detalhada para descartar ou confirmar a presença de uma DII.

O caminho para o diagnóstico preciso das doenças inflamatórias intestinais

Uma vez que os sintomas de alerta são identificados, a busca por um especialista é fundamental. A médica Mariane Savio esclarece que o diagnóstico das DIIs geralmente envolve uma série de exames complementares. O principal deles é a colonoscopia, que permite a visualização direta do intestino grosso e a coleta de amostras para biópsia.

No entanto, para casos em que a inflamação atinge o intestino delgado ou fino, exames de imagem como tomografia, ressonância magnética e até ultrassom são utilizados para auxiliar na localização e extensão da doença. A especialista indica que o paciente procure um coloproctologista ou um gastroenterologista, profissionais aptos a conduzir a investigação e diferenciar as patologias.

Mariane Savio detalha as particularidades de cada doença: “A Doença de Crohn pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Então, pode causar desde aftas orais, acometimento do intestino fino, do intestino grosso e, no ânus, fístulas e fissuras. A Retocolite Ulcerativa pega apenas o reto e o cólon e acomete mais a mucosa, enquanto a Doença de Crohn pega toda a parede do intestino.” Essa distinção é vital para o direcionamento do tratamento.

Desafios no acesso ao tratamento e a janela de oportunidade

Apesar da existência de tratamentos eficazes, um dos maiores desafios para o diagnóstico precoce das doenças inflamatórias intestinais ainda é o acesso ao especialista e aos exames necessários. A médica ressalta que, em muitos locais, as filas para procedimentos como a colonoscopia podem ultrapassar um ano, resultando na perda da “janela de oportunidade” – o período inicial da doença em que o tratamento é mais eficaz.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas específicas para o tratamento das DIIs, incluindo o fornecimento de medicamentos. Em situações mais graves, pode ser necessária a utilização de uma bolsa de colostomia, um dispositivo externo para a coleta de fezes e gases, que auxilia na qualidade de vida do paciente.

Com o aumento global dos casos, fatores de risco como estresse, dietas ricas em alimentos ultraprocessados e tabagismo estão sob análise. Controlar esses aspectos pode contribuir para a diminuição do risco de desenvolvimento das doenças. Na ausência de um especialista, Mariane Savio aconselha buscar um médico da atenção primária, que pode orientar os primeiros passos para o diagnóstico e tratamento, evitando a progressão do quadro.

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