Falhas de qualidade levam Anvisa a proibir lotes de remédios contra câncer e hipertensão
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, por meio da Resolução 2.238/2026, a suspensão imediata da comercialização, distribuição e consumo de diversos lotes de medicamentos essenciais. A medida, publicada no Diário Oficial da União em 2 de junho de 2026, abrange fármacos utilizados no tratamento de hipertensão, insuficiência cardíaca e câncer de mama, além de outros produtos farmacêuticos que apresentaram falhas técnicas ou falta de registro.
Falhas em medicamentos de uso contínuo e oncológico
Entre os itens afetados está o Halaven (mesilato de eribulina), indicado para o tratamento de câncer de mama. A fabricante, United Medical Ltda, iniciou um recolhimento voluntário do lote 148386 após identificar um desvio de qualidade. Segundo a empresa, o teor do princípio ativo estava abaixo da especificação técnica aprovada, o que pode comprometer a eficácia do tratamento oncológico.
No caso do maleato de enalapril, medicamento amplamente utilizado para o controle da pressão arterial e insuficiência cardíaca, a falha é de rotulagem. A fabricante Hipolabor Farmacêutica Ltda distribuiu embalagens contendo a indicação de 10 mg, quando a dosagem correta do conteúdo seria de 20 mg. A divergência coloca em risco a segurança do paciente, que pode ingerir uma dose diferente da prescrita pelo médico.
Os lotes suspensos do enalapril são: 0062/26M, 0063/26M, 0064/26M, 0088/26M, 0089/26M, 0358/26M, 0415/26M, 0506/26M e 0507/26M.
Procedimentos de segurança para pacientes
A orientação da Anvisa para pacientes que possuem esses medicamentos em casa é clara: a interrupção do uso deve ser imediata. É fundamental que o usuário não descarte o produto por conta própria antes de contatar o profissional de saúde responsável pelo seu tratamento.
O paciente deve buscar orientação médica ou farmacêutica para a substituição segura do fármaco. Além disso, as empresas fabricantes disponibilizam canais de atendimento ao consumidor (SAC) para orientar sobre o procedimento de devolução ou troca dos lotes afetados pela medida cautelar.
Outras irregularidades detectadas pela vigilância
Além dos medicamentos citados, a Anvisa também proibiu o uso do lote 8891/25 de Água para Infusão, da Indústria Farmacêutica S/A. A decisão foi tomada após um laudo do Instituto Adolfo Lutz apontar resultados insatisfatórios em inspeções de qualidade, o que exige o recolhimento imediato do material em unidades hospitalares e farmácias.
Outro ponto de atenção é a apreensão de todos os lotes de cápsulas de óleo de pequi, fabricadas pela R.T.K Indústria de Cosméticos e Alimentos Naturais Ltda. A agência constatou que o produto é comercializado sem registro, notificação ou cadastro obrigatório. Além disso, a fabricante não possui autorização de funcionamento, tornando a venda, fabricação e propaganda do item totalmente irregulares.
O Parlamento mantém o compromisso de acompanhar as atualizações da Anvisa e os desdobramentos sobre a segurança sanitária no Brasil. Continue acessando nosso portal para se manter informado sobre saúde, políticas públicas e os temas que impactam o seu dia a dia com credibilidade e rigor jornalístico.




