Aposta bilionária: o caso do advogado Willer Tomaz e a Blaze na Justiça

O volume astronômico das apostas
Em 2025, o advogado Willer Tomaz movimentou cifras que desafiam a compreensão do apostador médio. Registros na plataforma Blaze apontam que ele acumulou R$ 4,963 bilhões em perdas e R$ 4,8 bilhões em ganhos em jogos de cassino online. O resultado líquido dessa intensa atividade foi um prejuízo de aproximadamente R$ 163 milhões. Somadas as duas pontas, a movimentação total superou a marca de R$ 9,7 bilhões em um único ano, um volume que ilustra a voracidade do mercado de apostas no Brasil.
É fundamental esclarecer que esse montante não representa dinheiro novo injetado integralmente na plataforma. Segundo dados apresentados ao Judiciário, os depósitos efetivos somaram cerca de R$ 300 milhões, enquanto os saques alcançaram R$ 137 milhões. A cifra bilionária é fruto do giro sucessivo do capital: os valores ganhos nas rodadas são reinvestidos instantaneamente, criando um efeito multiplicador que eleva artificialmente o volume transacionado.
Disputa judicial e alegação de ludopatia
Em 2 de agosto de 2026, Willer Tomaz ingressou com uma ação na 44ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo contra a Foggo Entertainment Ltda., operadora da Blaze. O processo, registrado sob o número 4142445-56.2026.8.26.0100, busca a reparação do prejuízo líquido de R$ 163 milhões. A defesa do advogado sustenta que a plataforma falhou ao não implementar mecanismos eficazes de “jogo responsável”, ignorando o padrão de apostas de alto risco.
Para fundamentar o pedido, foi anexado aos autos um laudo psiquiátrico que atesta que o advogado sofre de ludopatia — o vício patológico em jogos — e que já iniciou tratamento médico. Em uma das comunicações trocadas com um funcionário da plataforma, revelada pelo portal Metrópoles, Tomaz chegou a afirmar: “duvido que exista alguém no mundo que tenha te dado mais lucro do que eu”. A Blaze já apresentou contestação, embora o teor da defesa permaneça sob sigilo parcial.
Conexões políticas e investigações paralelas
A cronologia dos fatos adiciona uma camada de complexidade ao caso. Apenas dois dias após o ajuizamento da ação, em 4 de agosto, a Polícia Federal deflagrou a operação Sem Desconto, cumprindo mandados de busca e apreensão no escritório de Willer Tomaz em Brasília. A investigação aponta o advogado como peça-chave em um suposto “hub financeiro” que atenderia investigados, incluindo o senador Weverton Rocha. Tomaz nega veementemente qualquer envolvimento com fraudes no INSS.
O advogado também é conhecido por sua proximidade com o senador Flávio Bolsonaro. O parlamentar já defendeu publicamente o amigo e ambos foram vistos em diversas viagens internacionais, incluindo deslocamentos em aeronaves das quais Tomaz é cotista. Embora não haja indícios de ilegalidade nessas relações pessoais, o caso coloca sob os holofotes a intersecção entre o mercado de apostas, a advocacia de alto nível e a influência política em Brasília.
O peso histórico dos jogos na política
O episódio remete, ainda que por caminhos distintos, ao folclore político brasileiro. Nos anos 1990, o então deputado João Alves justificou seu patrimônio com a “sorte extraordinária” em centenas de prêmios de loteria, um argumento que se tornou símbolo da CPI dos Anões do Orçamento. Diferente daquele caso, onde o jogo servia como fachada para lavagem de dinheiro, o cenário atual de Willer Tomaz destaca a escala industrial que as plataformas de apostas alcançaram na economia digital.
O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos deste processo judicial e as investigações da Polícia Federal. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura aprofundada, baseada em fatos e contextualizada, mantendo a transparência necessária para a compreensão dos temas que impactam a sociedade brasileira. Continue acompanhando nossas reportagens para se manter informado sobre os desdobramentos deste e de outros temas relevantes.



