PL acusa PDT de ‘violência política’ em ação para proibir imagem de Iris Rezende

Em um cenário pré-eleitoral que já se mostra acirrado em Goiás, o Partido Liberal (PL) reagiu com veemência à ação movida pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) na Justiça Eleitoral. O PDT busca impedir que o PL utilize a imagem do ex-prefeito e ex-governador Iris Rezende, figura histórica da política goiana. A sigla de Wilder Morais classificou a iniciativa como uma “violência política” e uma tentativa de “calar” a pré-candidata a vice-governadora Ana Paula Rezende, filha do saudoso líder.
A disputa judicial, que veio à tona nesta quinta-feira (9), evidencia as tensões e estratégias adotadas pelos partidos na corrida eleitoral. O PL argumenta que a ação do PDT, partido que se autodeclara alinhado à esquerda, é um ataque direto à verdade, à história e ao legado de Iris Rezende, uma figura que, segundo o PL, foi fundamental para o desenvolvimento de Goiás. A controvérsia levanta questões sobre a apropriação de legados políticos e a liberdade de expressão em campanhas eleitorais.
Disputa ideológica e o legado de Iris Rezende
A ação do PDT foi protocolada na quarta-feira (8) pelo presidente da legenda em Goiás, Kowalsky do Carmo Costa Ribeiro. O cerne da argumentação pedetista é que o PL estaria buscando legitimar-se ao “revestir-se com a biografia de um homem que dedicou sua vida a um projeto de país diametralmente oposto ao que o partido representado e seus líderes têm demonstrado defender”. Para o PDT, a utilização da imagem de Iris Rezende pelo PL constitui uma “grave distorção histórica e apropriação indevida de imagem”.
Kowalsky explicou que o PL tem exibido painéis com a foto de Iris, inclusive em contextos como as Diretas Já, durante reuniões do partido. Ele enfatiza que os valores defendidos por Iris Rezende, que foi filiado ao PTB e um defensor da democracia, são incompatíveis com a linha política do PL, que, segundo ele, tem sido investigado por suposto apoio a movimentos antidemocráticos e tem seu principal líder, Jair Bolsonaro, alvo de condenações. Essa dicotomia ideológica é o ponto central da contestação.
A defesa do PL e a memória familiar
Em nota oficial, o PL Goiás repudiou a ação, classificando-a como uma “violência política” contra Ana Paula Rezende. O partido defende o direito de uma filha de promover, honrar e manter viva a memória de seu pai, argumentando que a tentativa de impedir isso é uma afronta que transcende o mero ato político, configurando um ataque direto ao legado material e imaterial de Iris Rezende. A nota também critica a falta de foco do PDT em questões que realmente importam para o desenvolvimento do estado e a geração de oportunidades.
O texto do PL ainda contextualiza a filiação de Ana Paula Rezende à sigla. A advogada deixou seu partido anterior (MDB) por considerar que a legenda havia se afastado dos valores e princípios que marcaram a trajetória de seu pai. Para Ana Paula, o MDB teria optado por caminhos que destoam do legado de Iris Rezende e se mostram incompatíveis com o respeito aos valores democráticos. Essa mudança de partido, segundo o PL, reforça a legitimidade de Ana Paula em representar e honrar a memória de seu pai dentro de sua nova filiação política.
Repercussão e desdobramentos eleitorais
As imagens de Iris Rezende têm sido divulgadas não apenas em eventos do PL, mas também nas redes sociais vinculadas à pré-candidata Ana Paula Rezende, que se filiou ao PL para disputar o governo como vice na chapa de Wilder Morais. O PDT esclarece que a ação não visa impedir Ana Paula de vincular-se à sua família, mas sim evitar que o partido PL “venda essa imagem atrelada ao Iris”, por não representar seus valores.
A ação do PDT se baseia na alegação de ser um dos “herdeiros da tradição de resistência democrática” surgida com o fim do bipartidarismo em 1979, o que lhes daria legitimidade para defender a memória de figuras como Iris Rezende de apropriações indevidas. Este embate na Justiça Eleitoral pode abrir precedentes importantes sobre o uso de imagens de figuras públicas falecidas em campanhas, especialmente quando há divergências ideológicas entre o legado do político e o partido que o utiliza. A decisão judicial será crucial para definir os limites dessa prática no pleito que se aproxima.
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