Revitalização do Lago das Rosas em Goiânia prevê corte de árvores e investimento milionário

Um novo capítulo para o histórico Parque Lago das Rosas
O Parque Lago das Rosas, um dos cartões-postais mais emblemáticos de Goiânia, iniciou um processo de transformação profunda. Com uma história que remonta à década de 1940 e uma área extensa de aproximadamente 315 mil metros quadrados, o local será alvo de uma revitalização orçada em R$ 2,7 milhões. O cronograma de obras, que visa modernizar a infraestrutura e ampliar as opções de lazer, estende-se até o final de 2026.
A ordem de serviço, assinada pelo prefeito Sandro Mabel na última segunda-feira (18), marca o início de uma série de intervenções que prometem alterar a dinâmica do espaço. Embora o projeto busque melhorar a segurança e a acessibilidade para os frequentadores, a notícia trouxe à tona um debate sensível: a remoção programada de 48 árvores situadas dentro dos limites do parque.
O impasse entre modernização e preservação ambiental
A decisão de suprimir quase cinco dezenas de exemplares arbóreos gerou apreensão imediata entre moradores e frequentadores assíduos. De acordo com a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), a medida é estritamente técnica. Laudos apontam que as espécies selecionadas apresentam riscos estruturais, como necroses, presença de fungos, brocas ou instabilidade que pode levar à queda, ameaçando tanto o público quanto o patrimônio histórico do local.
Entre os espécimes listados para remoção estão um pau-brasil, um flamboyant, um jamelão e um chapéu-de-napoleão. A presidente da Amma, Zilma Peixoto, assegurou que o manejo será realizado de forma gradual e que o objetivo central é preservar a integridade da arborização remanescente. Para mitigar o impacto, a prefeitura estabeleceu um plano de compensação ambiental que prevê o plantio de 112 mudas inicialmente, com a meta de alcançar mais de 150 novas espécies ao longo do projeto.
Repercussão e a voz da comunidade
Apesar das justificativas oficiais, a comunidade local mantém o alerta. Maria Helena Tavares Vilela, presidente da Associação dos Moradores e Frequentadores do Parque Lago das Rosas, defende que a análise para o corte deveria ser ainda mais individualizada. Para a representante, o valor das árvores vai além da estética, sendo fundamentais para o conforto térmico e a qualidade do ar em uma metrópole como Goiânia.
“Não basta apenas plantar. É preciso regar, acompanhar e garantir que essas mudas sobrevivam”, ressaltou Vilela. A preocupação reflete um sentimento comum em grandes centros urbanos, onde o desenvolvimento de infraestrutura frequentemente colide com a necessidade de manutenção de áreas verdes consolidadas.
O que muda na estrutura do parque
A revitalização, executada pela Opus Incorporadora como parte de um Termo de Compromisso Ambiental, foca em modernizar o uso do espaço. O projeto inclui a reforma da pista de caminhada, nova iluminação, melhorias na drenagem para evitar alagamentos e a criação de três pet places. Além disso, o parque contará com academias ao ar livre, playgrounds renovados e uma nova logística para desembarque de turistas.
Um dos pontos mais delicados da obra envolve o trampolim e a mureta do lago, estruturas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Esta etapa específica ainda aguarda análise do órgão federal. A expectativa é que, após a conclusão, o parque mantenha seu valor histórico enquanto oferece instalações mais seguras e funcionais para a população.
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