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Racismo e homofobia: ex-diretores de colégio em Goiás viram réus por ofensas a servidores

A luta contra o preconceito e a discriminação ganha um novo capítulo no sistema judiciário de Goiás. A Justiça goiana aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra a ex-diretora Priscilla Gomes Guirra e o ex-coordenador Benício Ribeiro Júnior, ambos do Colégio Estadual Almirante Tamandaré, localizado em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Eles agora são réus em um processo que apura crimes de racismo e homofobia, supostamente cometidos contra servidores da própria unidade escolar.

A decisão, assinada em 8 de junho pelo juiz Gustavo Costa Borges, da 2ª Vara Criminal de Valparaíso de Goiás, representa um avanço significativo para as vítimas e para a sociedade, que clama por ambientes de trabalho mais seguros e respeitosos. O magistrado destacou no documento que a denúncia do Ministério Público descreve condutas penalmente típicas, cumprindo os requisitos legais para a instauração da ação penal.

Denúncias de racismo, homofobia e assédio moral abalam ambiente escolar

O caso veio à tona em março de 2023, quando funcionários do Colégio Estadual Almirante Tamandaré começaram a relatar episódios graves de racismo, homofobia, injúria e humilhações. As denúncias, que chocaram a comunidade escolar, incluíam relatos de servidores sendo chamados de “negra imunda”, “negra nojenta” e “viado nojento”. Tais ofensas, segundo as vítimas, teriam ocorrido dentro do ambiente de trabalho e na presença de outros colegas, criando um clima de medo e constrangimento.

Além das agressões verbais de cunho racial e homofóbico, a investigação da Polícia Civil também apontou supostas práticas de assédio moral e outras formas de humilhação. Um dos relatos indicava que uma servidora teria sido injustamente acusada de furto, enquanto outra vítima afirmou ter sido constrangida pela gestora durante o expediente. Ao todo, pelo menos quatro servidores, incluindo funcionários da limpeza, um professor e uma ex-coordenadora, formalizaram as denúncias, buscando reparação e justiça.

O processo judicial e as defesas dos envolvidos

Com a aceitação da denúncia, o processo entra em uma nova fase. A ex-diretora Priscilla Gomes Guirra, em declaração ao g1, negou veementemente as acusações, afirmando que “nunca ofendeu alguém dentro ou fora do colégio”. Ela ressaltou sua trajetória de mais de 20 anos na unidade escolar, destacando que seus projetos sempre foram voltados para “acolhida, diversidade e união”, e que o ambiente na escola “sempre foi tranquilo”. Segundo Priscilla, as denúncias surgiram convenientemente uma semana antes da eleição para a direção da unidade, e ela manifestou a expectativa de que testemunhas, imagens de câmeras e outros elementos sejam devidamente analisados pela Justiça.

Até o momento da última atualização da reportagem, a defesa do ex-coordenador Benício Ribeiro Júnior não havia sido localizada. O juiz determinou que ambos os acusados sejam citados para apresentar sua defesa no prazo de 10 dias. Caso não constituam advogados, a Defensoria Pública deverá assumir a representação legal dos réus, garantindo o devido processo legal. O advogado das vítimas, Suenilson Saulnier, expressou tranquilidade com a decisão, afirmando que aguarda a condenação dos réus às penas máximas, caso a culpa seja comprovada ao final do processo.

Repercussões e o compromisso contra a discriminação

A gravidade das acusações e o andamento do processo judicial em Valparaíso de Goiás reforçam a urgência do debate sobre a erradicação do racismo e da homofobia em todos os ambientes, especialmente em instituições de ensino. Em novembro de 2023, o juiz Gustavo Costa Borges já havia autorizado um pedido da Polícia Civil para que a Secretaria Estadual de Educação enviasse documentos relacionados ao procedimento administrativo aberto contra os investigados, demonstrando a seriedade da apuração desde o início.

A Secretaria de Estado da Educação informou que tanto Priscilla Gomes Guirra quanto Benício Ribeiro Júnior já foram exonerados da rede estadual. A ex-diretora, que era servidora efetiva, deixou o cargo ainda em 2023, enquanto o ex-coordenador atuava sob contrato temporário. A exoneração dos envolvidos, embora seja uma medida administrativa, sublinha a intolerância da pasta com condutas discriminatórias e de assédio. Este caso serve como um lembrete contundente da responsabilidade de todos em construir uma sociedade mais justa e inclusiva, onde o respeito à diversidade seja a regra, e não a exceção. Para mais informações sobre a luta contra o preconceito, clique aqui.

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