Notícias

Polícia indicia ex-secretária por usar cartão de empresa em gastos com festas e apostas

A trajetória de uma funcionária que começou como recepcionista e alcançou o cargo de secretária executiva em uma empresa de Goiânia terminou em um complexo indiciamento policial. O caso, que tramita na 8ª Delegacia de Polícia da capital goiana, expõe a fragilidade de controles internos diante de relações de extrema confiança no ambiente corporativo. A investigada é suspeita de utilizar cartões da empresa para custear uma vida pessoal de luxo e entretenimento, incluindo apostas em plataformas de jogos de azar, como o popular “Tigrinho”.

De acordo com o inquérito concluído na última sexta-feira (28), a mulher teria se aproveitado do livre acesso aos recursos financeiros dos proprietários para realizar compras que variam de itens básicos a bens de alto valor. A investigação aponta que a conduta criminosa não foi um episódio isolado, mas uma prática recorrente que se estendeu por meses, configurando o que o Direito Penal classifica como continuidade delitiva.

Ascensão profissional e a quebra da relação de confiança

A investigada iniciou seu vínculo com a empresa em julho de 2019. Ao longo de quase sete anos, ela demonstrou competência técnica e conquistou a estima dos empregadores, sendo promovida ao cargo estratégico de secretária executiva. Essa proximidade permitiu que ela assumisse responsabilidades que extrapolavam o âmbito profissional, realizando pagamentos de natureza pessoal para os donos do negócio.

Foi justamente essa relação de confiança que facilitou o suposto desvio. Com a posse dos cartões corporativos para gerir despesas operacionais, a funcionária teria passado a utilizá-los em benefício próprio a partir de 2023. No entanto, o recorte temporal da denúncia apresentada pelos empresários foca no período entre abril de 2025 e fevereiro de 2026, quando os gastos se tornaram mais volumosos e frequentes.

Auditoria revela gastos que vão de enxovais a jogos de azar

A descoberta do esquema ocorreu somente após o pedido de demissão da própria secretária. Ao realizar uma auditoria de rotina nos extratos dos cartões físicos que estavam sob responsabilidade da ex-funcionária, os proprietários identificaram uma série de transações incompatíveis com a atividade comercial da empresa. A lista de despesas apresentada à Polícia Civil impressiona pela diversidade:

  • Aparelho celular iPhone de última geração;
  • Instalação de boxes de vidro e itens de decoração residencial;
  • Enxovais de cama, semijoias e vestuário feminino e infantil;
  • Pagamentos a fornecedores de festas e material escolar;
  • Corridas frequentes por aplicativos de transporte e apostas online.

Embora a perícia inicial tenha calculado um prejuízo de pouco mais de R$ 31 mil com base nos comprovantes entregues, os empresários estimam que o rombo real possa ser muito maior. Segundo a delegada Thaynara Andrade Berquó, as vítimas alegam que o prejuízo total pode oscilar entre R$ 50 mil e R$ 150 mil, considerando que apenas em um dos cartões os gastos suspeitos chegariam a R$ 100 mil.

Estratégia de dissimulação dificultou a descoberta do prejuízo

Um dos pontos centrais do indiciamento por fraude é a maneira como as compras eram realizadas. Segundo a investigação, a ex-secretária não apenas utilizava o cartão indevidamente, mas agia de forma a mascarar as despesas pessoais. Ela misturava as compras de itens para si mesma com pagamentos legítimos da empresa, dificultando a conferência imediata dos extratos bancários.

Essa tática de dissimulação permitiu que o esquema perdurasse por meses sem levantar suspeitas imediatas. Juridicamente, a conduta foi tipificada como furto qualificado mediante abuso de confiança e fraude. A delegada explica que o abuso de confiança se dá pelo acesso privilegiado aos cartões, enquanto a fraude reside no esforço ativo para esconder a natureza ilícita dos gastos.

Consequências jurídicas e o caminho para o ressarcimento

Apesar da gravidade das acusações, a ex-secretária não teve a prisão preventiva decretada e responde ao processo em liberdade. Com o encerramento do inquérito policial, a responsabilidade sobre o caso passa para o Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia formal à Justiça, solicita novas investigações ou propõe um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), caso os requisitos legais sejam preenchidos.

O desfecho do caso também abre portas para que as vítimas busquem a reparação financeira. Em situações de crimes contra o patrimônio no ambiente de trabalho, o ressarcimento pode ser determinado tanto na esfera criminal, como condição para benefícios penais, quanto em ações cíveis específicas. Casos similares em Goiás mostram que a justiça tem sido rigorosa com desvios corporativos que abusam da fé depositada em colaboradores.

Este episódio serve como um alerta para empresas de todos os portes sobre a importância de implementar processos de auditoria recorrentes e segregação de funções financeiras. Continue acompanhando O Parlamento para atualizações sobre este caso e outras notícias que impactam a segurança jurídica e o ambiente de negócios no Brasil, sempre com o compromisso de levar até você a informação apurada com profundidade e clareza.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo