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Cidade de Goiás: o refúgio histórico que preserva o legado do ciclo do ouro

A Cidade de Goiás, carinhosamente chamada pelos moradores e visitantes de Goiás Velho, é um verdadeiro portal para o passado brasileiro. Fundada em 1727 sob o nome de Arraial de Sant’Anna, a localidade não apenas testemunhou a formação do estado, mas serviu como sua capital por mais de dois séculos. Hoje, o município se destaca como um dos principais destinos de turismo cultural e histórico do país, mantendo viva a atmosfera do período colonial em cada esquina de seu centro histórico.

Um legado preservado pelo tempo

O reconhecimento internacional veio em 2001, quando o Centro Histórico da Cidade de Goiás foi oficialmente inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. Essa chancela não é apenas um título honorífico, mas um atestado da integridade arquitetônica e paisagística que o município conseguiu manter ao longo de quase 300 anos. O traçado urbano, os materiais construtivos e a disposição das edificações oferecem aos visitantes uma aula a céu aberto sobre a ocupação do interior do Brasil durante o ciclo do ouro.

Entre as construções que compõem esse cenário, a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, erguida em 1779, é um dos marcos mais importantes. Tombada pelo Iphan em nível federal, a estrutura hoje abriga o Museu de Arte Sacra da Boa Morte, preservando peças que narram a religiosidade e a arte barroca desenvolvida na região central do país.

Tradições que atravessam séculos

A vida cultural da Cidade de Goiás é marcada por celebrações que misturam fé e história. A mais emblemática delas é a Procissão do Fogaréu, realizada anualmente na quarta-feira da Semana Santa. À meia-noite, homens encapuzados percorrem as ruas de pedra iluminadas apenas por tochas, ao som de tambores, em uma representação dramática da perseguição e prisão de Jesus Cristo. A tradição, introduzida em 1745, atrai milhares de turistas e pesquisadores interessados na manutenção de costumes seculares.

Além do viés religioso, a cidade se consolidou como um polo de debate cultural contemporâneo através do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA). O evento, que movimenta o calendário local, é reconhecido como um dos mais relevantes da América Latina no segmento audiovisual voltado para a temática ambiental, conectando o patrimônio histórico às discussões urgentes sobre sustentabilidade.

Conexão entre história e natureza

A experiência de visitar Goiás Velho vai além da arquitetura. A residência da poetisa Cora Coralina, situada às margens do Rio Vermelho, foi transformada em museu e é um dos pontos mais visitados. O local preserva o mobiliário, documentos e objetos pessoais que permitem uma imersão na vida e na obra de uma das maiores vozes da literatura brasileira.

Para quem busca o equilíbrio entre o patrimônio edificado e as belezas naturais do Cerrado, o município oferece opções como a Cachoeira das Andorinhas, localizada a apenas 7 km do centro. O conjunto de atrativos naturais, aliado à preservação urbana, faz da cidade um destino completo para quem deseja compreender a formação cultural de Goiás e do Brasil.

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