Registro do Elevidys para distrofia muscular é cancelado pela Anvisa e pela Roche
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a farmacêutica Roche oficializaram, nesta segunda-feira (24), o cancelamento do registro condicional do medicamento Elevidys (delandistrogeno moxeparvoveque). A decisão, que foi formalizada por meio de publicação no Diário Oficial da União, ocorreu após um pedido direto da fabricante, que reconheceu que os dados atuais sobre o produto não atendem aos rigorosos requisitos regulatórios necessários para a manutenção da autorização no mercado brasileiro.
O Elevidys, uma terapia avançada voltada ao tratamento da Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), possuía um registro condicional, uma modalidade de autorização temporária concedida a produtos que, embora promissores, ainda dependem da apresentação de dados complementares de eficácia e segurança. Com o cancelamento, o fármaco deixa de ter permissão para comercialização no país.
Contexto da suspensão e exigências de segurança
A trajetória do medicamento no Brasil foi marcada por cautela desde a sua aprovação inicial, em dezembro de 2024. Na época, a autorização foi concedida em caráter excepcional para crianças de 4 a 7 anos que ainda possuíam capacidade de deambulação. Contudo, em julho de 2025, a Anvisa suspendeu a comercialização do produto após o surgimento de alertas internacionais graves, incluindo relatos de insuficiência hepática aguda em pacientes tratados nos Estados Unidos.
Após a suspensão, a agência reguladora estabeleceu um canal de comunicação contínuo com a Roche, exigindo a apresentação de dados consolidados sobre o perfil de segurança do medicamento. A empresa, por sua vez, submeteu informações complementares ao longo dos últimos meses. A decisão final pelo cancelamento reflete a impossibilidade de sustentar o registro diante das evidências científicas disponíveis até o momento, priorizando a segurança dos pacientes.
Impacto nos pacientes e continuidade do monitoramento
Apesar do fim do registro, a Anvisa ressaltou que a medida não exime a Roche de suas responsabilidades éticas e legais. A farmacêutica permanece obrigada a manter o acompanhamento clínico rigoroso de todos os pacientes que foram expostos ao medicamento, seja por meio de estudos clínicos ou de programas de acesso assistido. Este monitoramento é vital para as crianças brasileiras que receberam o Elevidys entre dezembro de 2024 e julho de 2025, garantindo que qualquer efeito adverso tardio seja prontamente identificado e tratado.
A Distrofia Muscular de Duchenne é uma condição genética degenerativa grave que impede a produção de distrofina, uma proteína essencial para a integridade das fibras musculares. A perda progressiva de massa e força muscular impõe desafios constantes às famílias e ao sistema de saúde, tornando a busca por terapias eficazes uma prioridade na agenda de saúde pública.
Novas alternativas terapêuticas no mercado
Enquanto o cenário do Elevidys se encerra, o mercado brasileiro de terapias para doenças raras continua em movimento. Na última quinta-feira (13), a Anvisa concedeu o registro ao medicamento Duvyzat (givinostate), uma nova opção terapêutica para pacientes com DMD. Diferente da proposta do Elevidys, os estudos clínicos do Duvyzat indicaram resultados consistentes na capacidade de retardar a progressão da doença, oferecendo uma nova perspectiva de tratamento para os pacientes.
O Parlamento segue acompanhando de perto os desdobramentos das políticas regulatórias de saúde e o impacto das novas terapias na vida dos brasileiros. Para se manter informado sobre decisões da Anvisa, avanços científicos e temas de relevância nacional, continue acompanhando nossas publicações diárias, onde prezamos pela apuração rigorosa e pelo compromisso com a informação de qualidade.


