Goiás

Justiça concede liberdade a Zander Fábio, investigado por desvio de R$ 1,5 milhão na Secult

Justiça concede liberdade a Zander Fábio, investigado por desvio de R$ 1,5 milhão na Secult

O cenário político e administrativo de Goiânia foi marcado por um novo capítulo na Operação Cultura Em(Cena), da Polícia Civil. O ex-secretário de Cultura da capital goiana e atual vereador, Zander Fábio (Podemos), foi colocado em liberdade no último domingo, dia 31 de maio de 2026, após o término do prazo de sua prisão temporária. Contudo, a soltura não significa o fim das apurações; ele e outros dois empresários continuam sob intensa investigação por um suposto esquema de desvio de recursos públicos que pode ter movimentado cerca de R$ 1,5 milhão na Secretaria Municipal de Cultura (Secult) entre os anos de 2023 e 2024.

Além de Zander Fábio, os empresários Jean Jesus Magno Lima e Silva e Welton da Silva Nogueira também foram liberados da custódia. Os três são peças-chave na investigação conduzida pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), que busca desvendar a complexidade das transações financeiras e as possíveis irregularidades que teriam lesado os cofres públicos.

A Operação Cultura Em(Cena) e as Acusações de Fraude

A Operação Cultura Em(Cena) foi deflagrada pela Polícia Civil com o objetivo de desmantelar um esquema sofisticado de desvio de verbas. As investigações apontam para a utilização de empresas de fachada, que teriam sido criadas ou utilizadas estrategicamente para receber valores significativos de contratações diretas realizadas pela Secult. Esse método, segundo os investigadores, permitia a movimentação de grandes somas de dinheiro sem a devida transparência e fiscalização.

Conforme apurado, o montante de R$ 1,5 milhão teria sido movimentado por meio de 41 pagamentos ao longo de 2023 e 2024. A Polícia Civil detalha que muitas das empresas contratadas apresentavam características suspeitas, como terem sido abertas pouco antes de receberem os recursos públicos, possuírem baixo capital social, não terem sede própria ou não demonstrarem experiência compatível com os serviços que supostamente prestavam. Tais indícios são cruciais para a tese de que se tratavam de empresas “laranjas” ou de fachada, criadas apenas para simular a prestação de serviços e desviar dinheiro.

Detalhes do Esquema e o Uso de Empresas Ligadas aos Investigados

A análise dos fluxos financeiros revelou que um dos CNPJs ligados a Welton Nogueira, um dos empresários investigados, teria movimentado mais de R$ 820 mil somente no ano de 2024. Outra empresa, registrada em nome da filha de Welton, teria recebido quase R$ 472 mil entre 2023 e 2024, levantando suspeitas sobre a extensão da rede de empresas envolvidas.

Adicionalmente, o Instituto Vida Gestão Ambiental, Cultural e Educacional, presidido pela esposa de Jean Jesus Magno Lima e Silva, também é alvo da investigação. Segundo a polícia, este instituto teria movimentado mais de R$ 424 mil, reforçando a tese de que os laços familiares e empresariais foram utilizados para facilitar o suposto esquema de desvio de verbas destinadas à cultura de Goiânia.

Despesas Pessoais e as Evidências Digitais que Sustentam a Acusação

Um dos aspectos mais graves da investigação é a suspeita de que parte dos valores desviados teria sido utilizada para despesas pessoais dos envolvidos. A Deccor identificou pagamentos de contas particulares e até mesmo do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de Zander Fábio, o que, se comprovado, configuraria um claro uso indevido de recursos públicos para benefício próprio.

As evidências não se limitam apenas às movimentações financeiras. Mensagens encontradas nos celulares apreendidos durante a operação também reforçam, segundo a polícia, a conexão entre os investigados e a natureza do esquema. Em uma das conversas anexadas ao inquérito, Jean Jesus Magno Lima e Silva teria enviado uma mensagem ao então secretário Zander Fábio, com a seguinte frase: “Zandin, você é o cara, né velho? Chega na sua mão, o trem resolve”. Essa mensagem é interpretada pelos investigadores como um indicativo da influência e do papel central de Zander no suposto esquema.

A defesa de Zander Fábio, por sua vez, sustenta que o ex-secretário colaborou integralmente com as investigações, prestando todos os esclarecimentos solicitados pelas autoridades. Essa postura é um elemento importante no processo legal, mas não interrompe o curso das apurações.

O Futuro da Investigação e a Busca por Transparência

Mesmo com a soltura dos investigados, a Polícia Civil de Goiás reitera que as análises do material apreendido durante a Operação Cultura Em(Cena) prosseguem. Documentos, registros bancários, comunicações digitais e outros elementos estão sendo minuciosamente examinados para consolidar as provas e determinar as responsabilidades de cada um dos envolvidos. A continuidade da investigação é fundamental para garantir que a verdade seja estabelecida e que eventuais desvios de conduta na gestão pública sejam devidamente punidos.

Este caso ressalta a importância da fiscalização rigorosa dos gastos públicos e da transparência na administração. A sociedade espera que as instituições atuem com celeridade e imparcialidade para coibir a corrupção e assegurar que os recursos destinados à cultura e a outras áreas essenciais sejam aplicados em benefício da população, e não de interesses particulares.

Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras investigações que impactam a administração pública e a vida dos cidadãos, continue acessando O Parlamento. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, oferecendo uma cobertura aprofundada dos fatos que moldam o cenário local, regional e nacional. Acompanhe as notícias da Polícia Civil de Goiás para mais informações sobre operações como esta.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo