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Vítima de dentista presa em Goiânia relata um ano de agonia e sequelas após cirurgias

O drama de pacientes após procedimentos estéticos irregulares

O caso da dentista Valéria Ribeiro, presa preventivamente em Goiânia sob a acusação de deformar pacientes, revelou um cenário de sofrimento prolongado e sequelas graves. Uma das sete vítimas que denunciaram a profissional relatou ter vivido um pesadelo após um procedimento de retoque, ficando um ano sem conseguir realizar movimentos básicos com a boca e o pescoço. O relato expõe não apenas falhas técnicas, mas a ausência de suporte pós-operatório adequado por parte da clínica.

A paciente, que preferiu não se identificar, desembolsou R$ 16,5 mil em março de 2024 para realizar uma platismoplastia, cirurgia voltada ao rejuvenescimento do pescoço. O que deveria ser uma intervenção para corrigir a flacidez transformou-se em um longo processo de recuperação física e psicológica. Segundo a vítima, a falta de acolhimento da profissional após as complicações agravou o trauma, levando-a a buscar tratamento especializado para lidar com as marcas deixadas pelas cirurgias.

A realidade das intervenções sem estrutura adequada

As investigações da Polícia Civil apontam que a dentista realizava cirurgias de alta complexidade, como rinoplastia e lipoaspiração de papada, em um ambiente sem a estrutura hospitalar necessária. A paciente relata que, após não ficar satisfeita com o resultado inicial, foi submetida a um retoque que, segundo ela, evoluiu para um lifting facial não autorizado. O procedimento, que deveria durar 30 minutos, estendeu-se por 18 horas divididas em três dias de intervenções exaustivas.

A gravidade da situação foi confirmada pela necessidade de tratamentos intensivos para a recuperação da vítima. Foram necessárias 25 sessões em câmara hiperbárica, 50 sessões de fisioterapia e três cirurgias plásticas reparadoras para que ela pudesse retomar a mobilidade e minimizar as cicatrizes extensas. O caso destaca os riscos de realizar procedimentos invasivos em locais que não oferecem suporte para intercorrências de saúde.

O papel dos órgãos de fiscalização e a defesa

O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) confirmou que a profissional possui registro ativo e que acompanha o caso com atenção. O órgão reforçou que procedimentos cirúrgicos faciais, como a blefaroplastia e a rinoplastia, são restritos a profissionais com especialização comprovada em Cirurgia Estética Orofacial. A entidade ressaltou que apurações administrativas estão em curso, respeitando o contraditório e a ampla defesa.

A defesa da dentista, representada anteriormente pela advogada Caroline Bittar, informou que não teve acesso à integralidade dos documentos que embasaram a operação policial, o que impossibilita uma resposta técnica imediata. Até o momento, a nova representação jurídica da profissional não foi localizada. Enquanto isso, a Polícia Civil segue com as investigações, tendo solicitado o sequestro de R$ 600 mil da investigada para garantir futuras reparações.

Desdobramentos da operação policial

Além da prisão de Valéria Ribeiro, a operação resultou na interdição da clínica e na prisão em flagrante de uma funcionária por obstrução de justiça. A polícia apurou que a colaboradora tentava esconder produtos e dificultar a fiscalização da Vigilância Sanitária. Desde que o caso veio a público, outras três pessoas procuraram as autoridades para denunciar procedimentos malsucedidos, elevando a preocupação sobre o histórico de atendimentos realizados no local.

Para a vítima que compartilhou sua história, a prisão representa um passo importante em direção à justiça. O longo caminho de recuperação, que já dura dois anos, serve como um alerta para os perigos da busca por padrões estéticos sem a devida checagem da qualificação profissional e da segurança dos estabelecimentos. O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos deste caso, comprometido em levar aos leitores informações apuradas e relevantes sobre saúde, segurança e direitos do consumidor.

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