Aventura e superação – goiano deixa Goiânia para dar a volta ao mundo a pé

Deixar para trás a estabilidade profissional e a rotina em busca de um sonho ambicioso é um passo que poucos ousam dar. O goiano Frederic Borges, de 39 anos, decidiu transformar essa ideia em realidade ao iniciar uma jornada monumental: dar a volta ao mundo a pé, empurrando um carrinho com seus pertences essenciais. A partida ocorreu em 16 de março, em Foz do Iguaçu, na fronteira com a Argentina, marcando o início de um projeto de vida que pode se estender por até dez anos.
Antes de calçar os tênis e pegar a estrada, Fred trabalhava com marketing digital, criando anúncios para empresas dos Estados Unidos. A guinada na trajetória aconteceu de maneira rápida. Em cerca de um mês, ele encerrou as atividades profissionais, organizou a bagagem e partiu de Goiânia levando apenas R$ 1 mil. O ponto de escolha para o início da empreitada foi estratégico, permitindo que ele explorasse regiões pelas quais ainda não havia passado antes de cruzar fronteiras internacionais.
A inspiração britânica e a preparação minimalista
A motivação para encarar o desafio a pé nasceu do contato com a trajetória de exploradores internacionais. Fred encontrou grande inspiração na história do britânico Karl Bushby, que concluiu uma volta ao planeta caminhando após 28 anos de expedição. O goiano chegou a conversar com Bushby pelas redes sociais, recebendo orientações valiosas e referências sobre o modelo de carrinho ideal para transportar equipamentos de sobrevivência por longas distâncias.
Para suportar as intempéries, a bagagem é rigorosamente selecionada. Na estrutura que empurra diariamente, Fred carrega:
- Barraca e saco de dormir
- Fogareiro portátil
- Roupas térmicas para frio extremo
- Medicamentos e dois pares de tênis
- Mantimentos para cinco a sete dias
Desafios extremos e resiliência mental
Atualmente na Argentina, o viajante já acumulou quase 5 mil quilômetros percorridos e calcula precisar de mais 3 mil para finalizar a etapa sul-americana. Pelo caminho, a rota tem sido marcada por condições climáticas severas. Fred já enfrentou temperaturas de até 10 graus negativos em áreas desérticas, além de chuvas intensas, neve e granizo. No deserto do Atacama, no Chile, temporais destruíram parte de sua estrutura de acampamento, e o aventureiro também precisou pausar temporariamente a passagem pela Bolívia devido a protestos locais.
Apesar das dificuldades físicas e dos imprevistos na rota, o goiano destaca que o maior obstáculo é o controle psicológico. Com capacidade para caminhar cerca de 30 quilômetros diários, ele aponta que a solidão prolongada exige forte resiliência mental. Em contrapartida, a hospitalidade de moradores locais que oferecem abrigo, água e comida serve como combustível diário para seguir em frente rumo ao próximo destino.
Próximos passos da expedição global
O planejamento de Fred para a conclusão desta primeira fase inclui passagens pela Carretera Austral, no Chile, e um trajeto subsequente rumo a El Calafate, na Argentina. Após encerrar este ciclo na América do Sul, o plano inicial prevê o retorno temporário a Goiânia para a troca de equipamentos e busca de novos apoios logísticos para as próximas etapas continentais.
Para os próximos anos, o roteiro ambiciona conectar trechos entre a Irlanda do Norte e a Coreia do Sul, totalizando uma meta de cerca de 30 mil quilômetros ao redor do globo. Embora priorize a caminhada, o viajante mantém flexibilidade para utilizar outros meios de transporte em zonas de conflito ou locais que apresentem riscos diretos à segurança.
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