Lutador agride adolescente em praça de Goiânia e famílias relatam medo e histórico de intimidação

Um incidente de violência na Praça das Artes, no Jardim Goiás, em Goiânia, expôs um padrão de medo e intimidação que, segundo relatos de moradores, já afastava famílias do local. O lutador Rafael Gomes Pereira, de 43 anos, agrediu um adolescente de 17 anos até que ele desmaiasse, reacendendo discussões sobre a segurança em espaços públicos e a conduta de indivíduos com histórico de agressividade.
A agressão mais recente ocorreu na noite de sexta-feira (29), após uma discussão durante uma partida de futebol entre o adolescente e um dos filhos do lutador. Segundo a mãe da vítima, Vivian Pereira Cunha, de 44 anos, seu filho foi enforcado por cerca de um minuto, perdeu a consciência e teve uma convulsão. Mesmo após o desmaio, Rafael ainda teria desferido um chute nas costas do jovem antes de deixar o local. A vítima foi socorrida pela família com ferimentos na cabeça e sangramentos.
Histórico de violência e o temor na Praça das Artes
A Praça das Artes, um ponto de lazer para a comunidade, já não era frequentada por algumas famílias devido ao comportamento de Rafael e seus filhos. Vivian Pereira Cunha relatou que seus filhos haviam parado de ir à praça desde janeiro, após um episódio de agressão em dezembro do ano passado, onde um sobrinho dela teve o nariz quebrado em uma confusão envolvendo um dos filhos do lutador.
A mãe do adolescente agredido descreve um cenário onde discussões triviais, muitas vezes iniciadas em jogos e brincadeiras, escalavam para confrontos físicos. Ela afirma que Rafael supostamente aproveitava essas situações para incitar brigas, nas quais ele e seus filhos se envolviam diretamente.
Relatos de intimidação se multiplicam entre moradores
O clima de tensão na praça é corroborado por outros moradores. Áurea, que preferiu não divulgar o sobrenome, contou que também evitou o local por receio do lutador. Ela narrou um incidente ocorrido há cerca de dois meses, quando seu filho mais novo, de 7 anos, foi impedido pelos filhos de Rafael de usar a quadra, gerando uma discussão com seu marido. Após o desentendimento, Rafael teria ido ao prédio da família para “cobrar explicações”, levando-os a acionar a Polícia Militar por medo de agressão.
Áurea também mencionou outro episódio de intimidação envolvendo uma mulher viúva com um filho autista, que teria sido abordada por Rafael na praça com questionamentos sobre informações que ela supostamente teria compartilhado com outros moradores. Esses relatos pintam um quadro de um ambiente onde a presença do lutador e de seus filhos gerava desconforto e insegurança generalizada.
Precedentes: agressões em shopping e a busca por justiça
A conduta de Rafael Gomes Pereira não se restringe à Praça das Artes. Há cerca de três anos, ele se envolveu em outro caso de agressão contra dois adolescentes, filhos de Risia e Rodrigo Guimarães, em um shopping no Setor Bueno, também em Goiânia. Segundo Rodrigo, Rafael teria filmado um dos jovens, chamando-o de “meliante”, e desferido um soco que atingiu tanto o garoto quanto sua irmã, que estava atrás.
Na ocasião, o filho de Rodrigo só não perdeu os dentes devido ao aparelho ortodôntico, que absorveu parte do impacto. A família registrou um boletim de ocorrência, mas Rafael não chegou a ser preso na época. Risia Guimarães, mãe dos jovens agredidos no shopping, expressou sua preocupação nas redes sociais, afirmando que Rafael “precisa ser parado” e questionando se ele “daqui a pouco vai matar alguém?”. Rafael, por sua vez, se apresenta nas redes sociais como faixa-preta de jiu-jítsu e muay thai, o que levanta questões sobre o uso indevido de habilidades de combate.
Consequências legais e a necessidade de acompanhamento
Após a agressão ao adolescente na Praça das Artes, Rafael Gomes Pereira foi preso em flagrante. Contudo, em audiência de custódia realizada no sábado (30), ele recebeu liberdade provisória. A decisão judicial impôs medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de se aproximar das vítimas a menos de 300 metros. A família da vítima expressou preocupação com a soltura, especialmente considerando o histórico de agressões e intimidação.
Este caso sublinha a importância de um acompanhamento rigoroso por parte das autoridades e da comunidade para garantir a segurança em espaços públicos. A sensação de impunidade e o medo de represálias podem silenciar vítimas e perpetuar ciclos de violência. O Parlamento continuará acompanhando os desdobramentos deste caso, buscando oferecer informações atualizadas e contextualizadas sobre a segurança e a justiça em nossa sociedade.




