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Sargento aposentado da PM e grupo de agiotas cobravam juros abusivos de até 20%, revela investigação

Uma operação conjunta da Polícia Civil em Goiás e no Distrito Federal desarticulou um sofisticado esquema de agiotagem que, segundo as investigações, era chefiado por um sargento aposentado da Polícia Militar. O grupo é acusado de cobrar juros exorbitantes, chegando a 20% ao mês, e de empregar métodos de cobrança violentos, incluindo ameaças de morte, para intimidar os devedores.

A ação policial, que resultou na prisão de 11 pessoas na última quinta-feira (10), revelou a dimensão do esquema, que movimentou cerca de R$ 10 milhões em apenas oito meses. A repercussão do caso foi amplificada pela divulgação de um vídeo que mostra um dos suspeitos ostentando uma verdadeira ‘montanha’ de dinheiro, evidenciando a lucratividade ilícita da atividade.

A Operação e a Desarticulação do Esquema de Agiotagem

A investigação teve início no ano passado, após um comerciante da Feira dos Goianos, que havia contraído empréstimos com o grupo e não conseguiu honrar os pagamentos, ser alvo de severas ameaças contra ele e seus familiares. A partir dessa denúncia, as autoridades começaram a mapear a rede de agiotagem, que se estendia por Goiás e pelo Distrito Federal.

A operação culminou na prisão de 11 indivíduos e na apreensão de bens de alto valor, incluindo oito carros de luxo, diversos celulares e armas. Além disso, foi determinado o bloqueio de bens dos envolvidos no montante de R$ 10 milhões, uma medida que visa descapitalizar a organização criminosa e recuperar parte dos valores obtidos ilegalmente. Os investigados deverão responder por crimes como extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro, que carregam penas severas na legislação brasileira.

Juros Abusivos e Cobranças Violentas: O Modus Operandi do Grupo

No centro do esquema estava o sargento aposentado da Polícia Militar, José Luiz Silva Sá, apontado pela Polícia Civil como o líder da organização. As apurações indicam que o grupo emprestava dinheiro a juros que podiam alcançar até 20% ao mês, uma prática que configura ilegalidade da agiotagem no Brasil e explora a vulnerabilidade financeira das vítimas. A agiotagem, além de ser um crime contra a economia popular, muitas vezes se associa a outras práticas criminosas devido à natureza coercitiva das cobranças.

As cobranças, conforme detalhado pela investigação, eram realizadas de forma extremamente violenta. O próprio sargento José Luiz, segundo a polícia, fazia as cobranças presencialmente, portando armas e empregando intimidação física e psicológica. Essa conduta reforça a gravidade das acusações e o perigo que o grupo representava para a sociedade.

A Ostentação do Dinheiro e o Papel do “Financeiro”

Um dos aspectos que mais chamou a atenção no caso foi um vídeo divulgado pela polícia, que mostra Adailton Fernandes de Oliveira, um dos suspeitos presos e apontado como o “financeiro do grupo”, ostentando uma grande quantidade de dinheiro. Nas imagens, Adailton aparece sentado em um sofá, ao lado de uma verdadeira “montanha” de notas, enquanto as conta e faz comentários sobre a facilidade em adquirir o montante.

“Olha o saco aí que eu despejei, tem que contar, vou passar a noite todinha contando dinheiro. Antigamente eu corria atrás do dinheiro, agora o dinheiro corre atrás de mim, tenho que agradecer a Deus. A gente junta de saco. Dinheiro rápido, olha a potência de Goiânia”, diz ele no vídeo. A Polícia Civil do Distrito Federal está apurando se o vídeo foi encontrado no celular de Adailton, o que poderia servir como prova contundente da lavagem de dinheiro e da origem ilícita dos recursos.

Intimidação e Ameaças: O Poder do Ex-Policial no Esquema

A investigação revelou que o grupo utilizava a suposta ligação com um ex-policial como ferramenta de intimidação. Prints de mensagens apreendidas mostram membros do esquema ameaçando devedores e mencionando a influência de seu “chefe”. “Minha equipe vai receber de você de qualquer jeito. Qualquer coisa, meu chefe é policial, faz uma denúncia e abre processo também. […] Vai ser mais caro para uma garota trapaceira e desonesta que não tem palavra”, diz uma das mensagens, evidenciando a estratégia de coação.

Em outra comunicação, um dos integrantes adverte: “Ele vai procurar você aí loirinha. A dívida tem que ser paga.” Essas mensagens sublinham o caráter organizado e a brutalidade empregada nas cobranças, que exploravam o medo e a vulnerabilidade das vítimas, muitas vezes em situações financeiras desesperadoras.

Repercussão e Próximos Passos da Investigação

A Polícia Militar de Goiás, por meio de nota, informou que o sargento José Luiz Silva Sá está na reserva remunerada e não possui qualquer vínculo com o serviço ativo da corporação. A Corregedoria da PM acompanha o caso e garantiu que “adotará todas as medidas pertinentes no momento oportuno”, indicando que a conduta do ex-militar será devidamente apurada no âmbito administrativo.

A defesa do sargento e de Adailton Fernandes de Oliveira declarou que ainda não teve acesso integral ao inquérito, que tramita em sigilo, mas informou que entrará com um pedido de habeas corpus para que ambos possam responder ao processo em liberdade. Enquanto isso, a Polícia Civil fez um apelo crucial à população: quem pegou dinheiro emprestado com o grupo não deve apagar as mensagens, pois essas conversas são provas fundamentais para a continuidade da investigação e para a responsabilização dos envolvidos.

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