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Rede Corujão: do auge de R$ 285 milhões ao fechamento na Bahia

O setor supermercadista brasileiro, conhecido por sua dinâmica e resiliência, tem sido palco de profundas transformações nos últimos anos. Enquanto a pandemia de Covid-19 impulsionou o consumo doméstico e a expansão de algumas redes, o período pós-pandêmico trouxe consigo novos desafios, como o aumento dos juros e a desaceleração econômica. Nesse cenário de altos e baixos, a história da Rede Corujão, na Bahia, emerge como um exemplo emblemático das complexidades enfrentadas pelo varejo nacional.

A empresa, que chegou a faturar impressionantes R$ 285 milhões anuais e se consolidou como uma referência no interior baiano, encerrou suas atividades em 2024, marcando o fim de uma trajetória que começou com inovação e alcançou grande sucesso.

A Trajetória de Sucesso e a Inovação 24 Horas

A história da Rede Corujão teve início em 2012, na cidade de Feira de Santana, sob a visão empreendedora de Daniela Lacerda e seu marido. A empresária identificou uma lacuna no mercado local: a quase inexistência de estabelecimentos abertos durante a madrugada. Ao mesmo tempo, o consumo de bebidas na região mantinha-se aquecido, mesmo em horários tardios. Essa percepção deu origem à ideia de um depósito e distribuidora de gás e bebidas com funcionamento 24 horas por dia.

O modelo de negócio rapidamente conquistou a população. Com a crescente demanda, os clientes começaram a solicitar uma gama mais ampla de produtos, que ia além das bebidas e incluía itens essenciais como carnes, legumes e outros perecíveis. Atenta às necessidades do público, a empresa evoluiu e, em 2018, transformou-se oficialmente em um supermercado, expandindo seu portfólio e consolidando sua presença no varejo.

O Auge na Pandemia e o Reconhecimento Nacional

Nos anos seguintes à sua formalização como supermercado, a Rede Corujão experimentou uma fase de crescimento acelerado. O grupo ampliou suas operações para um total de sete unidades, adotando diferentes formatos, como o varejo de proximidade e o atacarejo. Além disso, a rede inovou com a criação de lojas no formato Express e expandiu sua atuação para a capital baiana, Salvador, por meio de franquias.

O auge da operação foi impulsionado significativamente pelo aumento do consumo doméstico durante a pandemia de Covid-19, período em que muitas famílias passaram mais tempo em casa e intensificaram as compras em supermercados. Nesse cenário, o grupo atingiu um faturamento anual de R$ 285 milhões, consolidando-se como o maior varejo do interior da Bahia. O sucesso da Rede Corujão e a visão de sua fundadora renderam a Daniela Lacerda reconhecimento nacional, sendo apontada pela Associação Baiana de Supermercados como a mulher mais jovem do setor varejista do estado e incluída na prestigiada lista Under 30 da Forbes Brasil em 2021.

A Virada do Cenário: Juros Altos e Desaceleração Econômica

Apesar do crescimento vertiginoso, o cenário começou a mudar drasticamente a partir de 2022. Segundo Daniela Lacerda, o principal fator que impactou a sustentabilidade da Rede Corujão foi a alta da taxa Selic. Empresas com forte dependência de crédito para financiamento de expansão e capital de giro viram seus custos operacionais dispararem devido ao encarecimento dos empréstimos e financiamentos.

Paralelamente, o varejo alimentar enfrentou uma desaceleração no período pós-pandemia. O ritmo de consumo, que havia impulsionado o crescimento da rede durante o isolamento social, diminuiu, impactando diretamente o volume de vendas. Essa combinação de fatores levou o Corujão a entrar em um ciclo de sucessivas renegociações bancárias, acumulando dívidas cada vez maiores. A empresária relatou que os juros sobre os empréstimos tornaram a operação financeiramente insustentável, inviabilizando a continuidade do negócio.

O Fechamento e Novos Caminhos para a Empreendedora

Sem conseguir suportar a crescente pressão financeira e a inviabilidade de manter as operações, a Rede Corujão encerrou definitivamente todas as suas atividades em 2024. O fechamento representou não apenas o fim de uma empresa de sucesso, mas também um reflexo das dificuldades que muitas companhias enfrentam em um ambiente econômico volátil, onde as políticas monetárias podem ter um impacto profundo no comércio local e regional.

Após o encerramento das atividades da rede de supermercados, Daniela Lacerda, a mente por trás do Corujão, não parou. A empresária direcionou seus investimentos para o setor do agronegócio e também ingressou na carreira política. Atualmente, Daniela assumiu a presidência estadual do partido Avante na Bahia, dedicando-se à defesa de propostas voltadas ao incentivo da liderança feminina e à ampliação da participação das mulheres em espaços de gestão e poder, demonstrando sua resiliência e compromisso com o desenvolvimento.

A história da Rede Corujão serve como um importante estudo de caso sobre o dinamismo e os riscos do setor varejista no Brasil, especialmente em um contexto de rápidas mudanças econômicas. Para continuar acompanhando análises aprofundadas sobre o cenário econômico, político e social que impacta o dia a dia dos brasileiros, visite o Jornal O Parlamento. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, oferecendo uma leitura jornalística completa e de qualidade sobre os temas que realmente importam.

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