Ratinho volta a proferir falas transfóbicas contra a deputada Erika Hilton

O apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, voltou a protagonizar uma polêmica ao utilizar termos transfóbicos para se referir à deputada federal Erika Hilton (Psol-SP). Durante participação no podcast Papagaio Falante, o comunicador referiu-se à parlamentar como “esse rapaz” e utilizou o nome masculino anterior à transição de gênero da congressista, reacendendo o debate sobre limites éticos e legais na comunicação de massa.
Contexto da disputa e declarações do apresentador
Ao comentar sobre a atuação política de Erika Hilton, Ratinho afirmou que nunca teria atacado a deputada pessoalmente, mas reiterou sua oposição à presença dela na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. O apresentador defendeu que o cargo deveria ser ocupado por “uma mulher que seja mulher mesmo”, argumentando que a ocupante precisaria ter “útero” e vivenciar as “dores da mulher”.
Além das declarações sobre a identidade de gênero da parlamentar, o comunicador alegou estar sofrendo censura por parte de grupos políticos. Segundo Ratinho, o cenário atual de debate público no país estaria prejudicado por uma suposta repressão à liberdade de expressão, posicionamento que ele tem sustentado em suas aparições recentes.
Histórico de embates judiciais
A relação entre o apresentador e a deputada é marcada por uma contenda judicial que se estende desde março. O conflito teve início quando Ratinho questionou a legitimidade da presidência da comissão parlamentar, utilizando termos que a defesa de Erika Hilton classificou como transfobia. Na ocasião, a deputada acionou a Justiça exigindo direito de resposta no SBT.
O processo teve idas e vindas no Tribunal de Justiça de São Paulo. Em junho, a parlamentar chegou a obter uma decisão favorável para o direito de resposta, que foi posteriormente suspensa em julho após recurso apresentado pela emissora. A disputa reflete o embate entre a liberdade de expressão e a proteção contra discursos de ódio e violações de direitos fundamentais.
Repercussão e posicionamento da parlamentar
Em resposta às falas recentes, Erika Hilton tem reforçado a gravidade das declarações do apresentador. Em entrevistas anteriores, a deputada pontuou que o uso de uma audiência em horário nobre para atacar a identidade de gênero de uma parlamentar ultrapassa o campo da crítica política e entra na esfera criminal, configurando incitação ao ódio.
A parlamentar tem cobrado celeridade do Poder Judiciário para que a conduta do comunicador seja devidamente analisada. O caso segue como um dos principais pontos de atenção sobre os limites da responsabilidade de figuras públicas diante de discursos que atingem a dignidade de pessoas trans no Brasil, conforme reportado pelo Congresso em Foco.
O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos deste caso e os impactos das decisões judiciais no debate público nacional. Continue conosco para se manter informado sobre política, direitos humanos e os fatos que movimentam o país com credibilidade e análise aprofundada.



