Prefeita da Califórnia renuncia e admite atuar como agente ilegal da China nos EUA

A política local na Califórnia foi abalada por uma revelação de grande impacto: Eileen Wang, prefeita da cidade de Arcadia, renunciou ao cargo após ser formalmente acusada pela Justiça Federal dos Estados Unidos e admitir que atuava como agente estrangeira ilegal em nome do governo da China. O caso, que veio à tona com a confissão da ex-prefeita, lança luz sobre a complexidade e os riscos da influência estrangeira em esferas de poder nos EUA.
Eileen Wang, de 58 anos, enfrentava uma acusação formal por operar dentro do território americano como agente de um governo estrangeiro sem o devido registro, uma violação da Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA). Em documentos relacionados ao processo, ela concordou em se declarar culpada da acusação, que pode resultar em uma pena máxima de dez anos de prisão. A primeira audiência na Corte Distrital dos EUA, em Los Angeles, estava marcada para esta terça-feira (12), e a formalização da confissão é esperada nas próximas semanas, conforme o Departamento de Justiça do país.
Acusação Federal e a Lei de Registro de Agentes Estrangeiros
A Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA) exige que indivíduos que representam interesses de potências estrangeiras nos Estados Unidos divulguem publicamente seus laços e atividades. O objetivo é garantir a transparência e proteger a integridade do processo político americano contra influências ocultas. A admissão de Eileen Wang de que não notificou o procurador-geral dos EUA sobre sua atuação como agente do governo chinês é central para a acusação.
Segundo o acordo de confissão, Wang teria agido entre o final de 2020 e 2022 sob a direção e controle de autoridades chinesas. Ela coordenou suas ações com Yaoning “Mike” Sun e outras pessoas nos EUA para promover os interesses de Pequim, incluindo a disseminação de propaganda pró-China. Este tipo de atividade, quando não declarado, é visto como uma ameaça à segurança nacional e à soberania democrática.
A Rede de Influência e o U.S. News Center
As investigações revelaram que Wang e Sun operavam o site U.S. News Center, que era apresentado como um veículo de notícias para a comunidade sino-americana local. No entanto, a Procuradoria afirma que o site servia como uma plataforma para a veiculação de conteúdo ditado por autoridades chinesas. Eles recebiam orientações precisas sobre o que publicar, transformando o portal em um canal de propaganda.
A atuação da ex-prefeita e de seus colaboradores ia além da simples publicação. Eles recebiam textos prontos via WeChat, um aplicativo de comunicação, diretamente de funcionários chineses. Um dos exemplos citados envolveu um ensaio, atribuído a uma autoridade chinesa e publicado no Los Angeles Times, que negava a existência de trabalhos forçados na China. O texto visava explicitamente “espalhar esse boato para difamar a China”, conforme trecho da publicação.
O Papel da Propaganda e as Mensagens Reveladoras
A agilidade e a coordenação de Wang na disseminação da propaganda foram detalhadas nos documentos. Após receber o texto sobre os trabalhos forçados, ela o publicou em minutos e enviou o link ao funcionário chinês, que respondeu com um “Tão rápido, obrigado a todos”. Em outra ocasião, Wang editou um texto a pedido da autoridade chinesa, enviando uma captura de tela com dados de visualização, ao que a autoridade respondeu “Ótimo!”, e Wang replicou: “Obrigado, líder”.
O caso também menciona o contato de Wang, em 2021, com John Chen, descrito como um integrante de alto escalão do aparato de inteligência chinês. Wang pediu a Chen que publicasse um artigo do site, afirmando que “É isso que o Ministério das Relações Exteriores quer enviar”. Essa interação sublinha a profundidade e a natureza da rede de influência. John Chen foi condenado em novembro de 2024 a 20 meses de prisão por atuar como agente ilegal da China e por conspirar para subornar um agente público. Yaoning “Mike” Sun, por sua vez, cumpre pena de quatro anos de prisão federal após se declarar culpado em outubro de 2025 pela mesma acusação de agente ilegal de um governo estrangeiro.
Repercussão e o Alerta das Autoridades Americanas
A confissão de Eileen Wang e os detalhes de sua atuação como agente da China ressaltam a seriedade com que as autoridades americanas encaram a interferência estrangeira. A ex-prefeita admitiu que não deixava claro no site de notícias quando publicava conteúdo a pedido de autoridades chinesas, violando o princípio da transparência.
Roman Rozhavsky, diretor assistente da Divisão de Contrainteligência e Espionagem do FBI, emitiu um alerta claro: “Que isso sirva como um aviso claro: pessoas que agem em nome de governos estrangeiros para influenciar nossa democracia serão identificadas, investigadas e levadas à Justiça”. Patrick Grandy, diretor-assistente responsável pelo escritório do FBI em Los Angeles, expressou alarme: “Todos os americanos deveriam ficar alarmados ao saber que uma autoridade eleita estava, de forma descarada, espalhando propaganda em nome do governo chinês”.
Este caso se insere em um contexto mais amplo de esforços dos EUA para combater a espionagem e a influência estrangeira, especialmente da China, em diversos setores da sociedade americana. A renúncia e a confissão de uma prefeita eleita servem como um lembrete contundente da vigilância necessária para proteger as instituições democráticas. Para mais informações sobre a Lei de Registro de Agentes Estrangeiros, visite o site do Departamento de Justiça dos EUA.
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