Padre excomungado com passagem por Anápolis revela denúncias de ‘macumba’ em igrejas católicas

O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, figura religiosa com parte de sua trajetória ligada à cidade de Anápolis, divulgou recentemente uma carta aberta que intensifica suas críticas à Arquidiocese de Brasília. No documento, o sacerdote, que foi excomungado pela instituição, afirma ter denunciado entre os anos de 2022 e 2023 a ocorrência de eventos que ele classificou como “macumba” dentro de templos católicos.
A revelação do padre adiciona um novo e complexo capítulo ao embate entre ele e a Arquidiocese, levantando questões sobre rituais, doutrina e a liberdade de expressão dentro da Igreja Católica. A carta, que rapidamente ganhou repercussão, detalha episódios específicos e a reação da hierarquia eclesiástica às suas alegações.
Denúncias de rituais e a controvérsia em Brasília
De acordo com o relato do padre Françoá, dois episódios centrais motivaram suas denúncias. O primeiro teria ocorrido em setembro de 2022, em uma paróquia localizada em Sobradinho. O segundo, e talvez mais impactante, dentro da própria Catedral Metropolitana de Brasília, em novembro de 2023. Em sua carta, o sacerdote é enfático ao justificar suas ações:
“Exatamente porque acredito em todas e em cada uma das verdades católicas, denunciei, nesta Arquidiocese, eventos de macumba em templos católicos”, escreveu ele, sublinhando sua convicção na fé católica como motor de suas denúncias.
A repercussão dessas alegações ganhou força nas redes sociais, especialmente após o padre publicar um vídeo sobre o incidente na Catedral. Segundo ele, a gravação viralizou, mas logo em seguida recebeu um pedido para que o conteúdo fosse removido. “Recebi uma ligação de alguém que falava em nome do Senhor Arcebispo para que eu retirasse o vídeo, o que, na época, eu fiz”, declarou, indicando uma tentativa de controle da narrativa por parte da Arquidiocese.
Cisma, excomunhão e a Fraternidade São Pio X
A situação do padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa com a Igreja Católica não se resume apenas às denúncias de rituais. Na semana anterior à divulgação de sua carta, a Arquidiocese de Brasília já havia emitido um comunicado oficial declarando que o sacerdote se encontrava em situação de cisma e excomunhão. A razão formal para essa punição é a adesão de Françoá à Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
Este grupo, conhecido por suas posições tradicionalistas, entrou em conflito com o Vaticano em décadas passadas por ordenar bispos sem a devida autorização papal, um ato considerado gravemente cismático. A excomunhão, no direito canônico, é a pena eclesiástica mais severa, que exclui o fiel da comunhão com a Igreja. No entanto, o padre Françoá contesta veementemente a validade dessa punição, afirmando que não se considera cismático nem excomungado. Ele sustenta que continuará exercendo seu ministério sacerdotal e celebrando os sacramentos normalmente, inclusive na Capela Santo Atanásio.
A Arquidiocese de Brasília, por sua vez, informou ao Metrópoles que manterá como posicionamento oficial a nota pastoral já divulgada após a excomunhão, indicando que não haverá reavaliação imediata da decisão.
Advertências anteriores e a ligação com Anápolis
A carta do padre Françoá também revela que as denúncias de “macumba” não foram o único ponto de atrito com a hierarquia. Ele afirma ter sido advertido por um bispo auxiliar após pregações nas quais criticava o que chamou de “erros protestantes”. Essas pregações ocorreram durante o período em que atuou como administrador da Paróquia Senhor Bom Jesus, entre 2021 e 2024, mostrando um histórico de posições firmes e, por vezes, controversas.
A ligação do padre Françoá com Anápolis é um detalhe relevante para o público local. Ele foi ordenado sacerdote na Diocese de Anápolis em 2004 e, durante sua passagem pelo município, desempenhou funções importantes na Paróquia Nossa Senhora D’Abadia e na Capelania Universitária Santa Clara. Essa conexão regional contextualiza a notícia para os leitores do Portal 6, que podem ter acompanhado parte de sua trajetória religiosa.
O impasse e os desdobramentos futuros
O cenário atual é de um impasse claro entre o padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa e a Arquidiocese de Brasília. Enquanto a instituição mantém sua posição de excomunhão e cisma, o sacerdote insiste na validade de seu ministério e na continuidade de suas celebrações. Essa situação levanta questões importantes sobre a autoridade eclesiástica, a liberdade de consciência dos clérigos e o impacto dessas disputas na comunidade católica.
Os desdobramentos dessa controvérsia podem influenciar a percepção dos fiéis sobre a Igreja e a forma como questões doutrinárias e disciplinares são tratadas. A persistência do padre em exercer suas funções, apesar da excomunhão, coloca a Arquidiocese em uma posição delicada, que pode exigir novas manifestações ou ações para esclarecer a situação aos católicos.
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