Procuradoria processa dona do Facebook para impedir remoção de contas na eleição

O Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública contra a Meta nesta quarta-feira (21) para reverter bloqueios de contas, remoções de publicações e restrições de alcance nas plataformas Instagram, Facebook e WhatsApp. A medida jurídica busca resguardar a circulação de informações a quatro dias do segundo turno das eleições de 2026, após uma série de denúncias envolvendo jornalistas, veículos de imprensa, entidades estudantis e movimentos sociais.
A iniciativa do órgão ministerial foi estruturada a partir de denúncias formais apresentadas à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão por organizações como a Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Associação Direitos Humanos em Rede, Sleeping Giants Brasil e CTRL+Z. O levantamento reuniu mais de mil relatos de moderação considerada desproporcional ao longo de setembro e outubro, período crítico para o debate público nacional.
exigências do ministerio publico federal
Na petição protocolada na Justiça, o MPF solicita o restabelecimento imediato de todas as contas atingidas e exige a proibição de decisões de bloqueio fundamentadas exclusivamente em sistemas automatizados ou algoritmos. O órgão também estipulou o pedido de aplicação de multa diária de R$ 500 mil por conta afetada em caso de descumprimento de eventual ordem judicial, visando dar efetividade à proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos na internet.
A documentação entregue à Justiça aponta barreiras técnicas e operacionais para que os usuários consigam contestar as sanções aplicadas pelas redes sociais. Entre os problemas relatados estão o recebimento de notificações genéricas, mensagens em outros idiomas e a carência de canais de atendimento humano para a análise adequada dos recursos apresentados por perfis afetados pelas restrições digitais.
impacto em debates e investigacoes jornalisticas
Um dos casos emblemáticos citados na ação do MPF envolve a suspensão temporária do perfil Revelando Brasil, ocorrida no Instagram em 23 de setembro. A punição aconteceu logo após a veiculação do vídeo com o título Grandes Igrejas, Master Negócios, com Fábio Porchat, material que discutia conexões entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e atores políticos do cenário nacional.
Segundo o órgão fiscalizador, o conteúdo em questão havia acumulado quase 5 milhões de visualizações, 462 mil curtidas e mais de 110 mil compartilhamentos antes da derrubada da página, que contava com mais de 100 mil seguidores. Embora o perfil tenha sido recuperado horas depois mediante repercussão pública, o episódio ilustra a vulnerabilidade de veículos informativos frente aos critérios de moderação das empresas de tecnologia.
tensao politica e investigacao eleitoral
A ofensiva judicial ocorre em um cenário de acirrada disputa eleitoral, marcado por embates diretos entre as campanhas presidenciais. A campanha do presidente Lula (PT) protocolou pedido de cassação da chapa de Flávio Bolsonaro (PL) sob alegação de abuso de poder econômico e suposto favorecimento algorítmico promovido pela Meta, com diferenças no alcance de publicações e restrições a conteúdos governamentais.
Por sua vez, a Meta negou veementemente qualquer tipo de tratamento desigual entre as candidaturas concorrentes. A empresa de tecnologia declarou publicamente que implementou protocolos específicos para assegurar a equidade no pleito, o que incluiria revisões humanas de contas bloqueadas e monitoramento rigoroso de anúncios de cunho político, temas que permanecem sob escrutínio da Justiça Eleitoral.
Para continuar acompanhando análises aprofundadas, reportagens especiais e as principais atualizações sobre o cenário político e institucional do país, siga navegando pelas editorias de O Parlamento. Nosso compromisso é manter você bem informado com rigor jornalístico, apuração contextualizada e respeito à relevância dos fatos que movimentam o Brasil.




