Goiás

Ministério Público recomenda fim de uso de furadeiras domésticas em hospital de Anápolis

O Hospital Municipal Alfredo Abrahão, localizado em Anápolis, tornou-se alvo de uma recomendação rigorosa do Ministério Público de Goiás (MPGO) após a constatação de uma prática alarmante: o uso de furadeiras e perfuradoras de uso doméstico em cirurgias ortopédicas. A medida, que visa garantir a segurança dos pacientes, surge após anos de fiscalizações da Vigilância Sanitária local, que classificou a situação como uma irregularidade de alto risco.

Riscos sanitários e a fiscalização da Vigilância Sanitária

A utilização de ferramentas não hospitalares em procedimentos cirúrgicos foi identificada em inspeções realizadas entre 2022 e 2026. Segundo relatórios da Vigilância Sanitária de Anápolis (Visa), o problema não era um evento isolado, mas uma prática recorrente na unidade. Ao todo, 11 equipamentos foram apreendidos pelos fiscais por não apresentarem as condições mínimas exigidas para o ambiente médico.

A gravidade da situação é acentuada pela impossibilidade de esterilização adequada desses instrumentos. Diferente das furadeiras pneumáticas projetadas especificamente para a medicina, os modelos domésticos possuem componentes que não suportam os processos de desinfecção hospitalar, elevando drasticamente o risco de infecções pós-operatórias. O inquérito civil aponta, inclusive, que houve violação de lacres em equipamentos que já haviam sido apreendidos anteriormente.

Justificativa da gestão e o posicionamento do MPGO

Em reunião com a 9ª Promotoria de Justiça de Anápolis, a direção da Fundação Universitária Evangélica (Funev), responsável pela gestão do hospital, admitiu o uso das ferramentas. A justificativa apresentada pela entidade girou em torno do alto custo das furadeiras cirúrgicas profissionais e da necessidade constante de manutenção técnica desses aparelhos especializados.

No entanto, o promotor de Justiça Marcelo de Freitas, responsável pelo caso, reforçou que a questão financeira não sobrepõe a segurança do paciente. O MPGO baseou sua recomendação em notas técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proíbem o uso de produtos sem registro sanitário para finalidades médicas. Para os órgãos de controle, o uso de equipamentos domésticos em cirurgias configura uma falha grave na prestação do serviço de saúde.

Prazos e próximos passos para a adequação

A recomendação do Ministério Público estabelece um cronograma claro para a regularização da unidade. A Funev tem um prazo de dez dias úteis para apresentar um plano de ação detalhado à promotoria, com o objetivo de substituir as ferramentas inadequadas por equipamentos cirúrgicos certificados. A execução total dessas medidas deve ser concluída em até 90 dias.

Caso a fundação não cumpra as determinações ou se recuse a responder dentro do prazo estipulado, o Ministério Público poderá judicializar a questão, buscando intervenção direta para cessar a prática. O caso segue sob monitoramento das autoridades, que buscam assegurar que o atendimento ortopédico no hospital seja realizado dentro dos padrões de qualidade e segurança exigidos pelo Sistema Único de Saúde.

O Parlamento mantém seu compromisso com a transparência e a apuração rigorosa dos fatos que impactam a saúde pública. Continue acompanhando nossas reportagens para atualizações sobre este caso e outros desdobramentos relevantes para a sociedade.

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