Futebol brasileiro se despede de Leivinha, ídolo do Palmeiras e da ‘Segunda Academia’

O futebol brasileiro e, em especial, a torcida palmeirense, lamentam a perda de um de seus maiores símbolos. João Leiva Campos Filho, mais conhecido como Leivinha, ex-meia-atacante que marcou época com a camisa do Palmeiras nos anos 1970, faleceu nesta quinta-feira (4), aos 76 anos. A causa da morte não foi divulgada, mas a notícia ressoa como um adeus a um dos pilares da lendária ‘Segunda Academia’.
Leivinha foi uma figura central em um dos períodos mais gloriosos da história do clube alviverde, conquistando títulos importantes e encantando o país com seu talento. Sua partida encerra um capítulo de uma carreira brilhante, que o levou dos gramados paulistas à Europa e à Seleção Brasileira, deixando um legado de técnica e dedicação.
Leivinha: o craque que brilhou na Segunda Academia do Palmeiras
Nascido em Novo Horizonte, no interior de São Paulo, Leivinha iniciou sua jornada no futebol ainda jovem, aos 15 anos, no Linense. Após uma passagem pela Portuguesa de Desportos, onde seus gols chamaram a atenção, ele chegou ao Palmeiras em 1971. Foi no clube paulista que o meia-atacante se consagrou, tornando-se um dos principais nomes da equipe que ficou conhecida como a ‘Segunda Academia’.
Com a camisa 8, Leivinha foi peça fundamental nas conquistas do Campeonato Paulista em 1972 e 1974, além dos Campeonatos Brasileiros de 1972 e 1973. Sua habilidade com os pés e a cabeça o tornaram um atacante versátil e decisivo, muitas vezes assumindo o comando do ataque com maestria, como quando substituiu César Maluco durante um período de suspensão do colega.
O Palmeiras, em nota oficial, destacou a importância do jogador: “Craque com os pés e a cabeça, Leivinha foi um dos símbolos da equipe palmeirense que encantou o Brasil na primeira metade da década de 1970”. Sua presença em campo era sinônimo de técnica e inteligência tática, características que o tornaram um ídolo para gerações de torcedores.
Da Portuguesa à Europa: a trajetória de um artilheiro
Antes de brilhar no Palmeiras, Leivinha construiu uma base sólida em sua carreira. No Linense, deu os primeiros passos, e na Portuguesa, demonstrou seu potencial goleador, mesmo sem conquistar títulos. Foi essa fase que pavimentou sua chegada ao alviverde, onde se consolidou como um dos grandes nomes do futebol nacional.
Em 1975, após ser destaque na conquista do Torneio Ramón de Carranza, em Cádiz, na Espanha, Leivinha deu um passo importante em sua carreira ao ser negociado com o Atlético de Madrid. No clube espanhol, ele continuou a mostrar seu talento, adicionando mais títulos à sua galeria: a Copa do Rei da Espanha na temporada 1975/76 e o Campeonato Espanhol na temporada 1976/77. Sua passagem pela Europa solidificou sua reputação como um jogador de nível internacional.
Após quatro temporadas de sucesso no futebol europeu, Leivinha retornou ao Brasil para encerrar sua carreira. Sua última equipe foi o São Paulo, onde disputou apenas 11 partidas e marcou dois gols, um breve retorno aos gramados brasileiros antes de pendurar as chuteiras.
A passagem pela Seleção Brasileira e o adeus precoce aos gramados
O talento de Leivinha não se restringiu aos clubes. Ele também representou a Seleção Brasileira em 27 partidas, marcando 7 gols. Sua performance o levou a ser convocado por Zagallo para a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha. No Mundial, Leivinha participou dos três jogos da fase de grupos, enfrentando Iugoslávia, Escócia e Zaire.
No entanto, uma lesão o tirou da competição antes do fim, impedindo-o de atuar no restante do torneio, onde o Brasil terminou na quarta colocação, perdendo a decisão do terceiro lugar para a Polônia. A lesão foi um prenúncio de uma série de problemas físicos que o acompanhariam e o levariam a uma decisão difícil.
Consagrado nos gramados, Leivinha parou de jogar cedo, aos 29 anos, devido a uma sequência de problemas físicos acumulados ao longo de sua intensa carreira. Ao todo, ele entrou em campo em 263 partidas e balançou as redes 107 vezes, números que atestam sua capacidade e importância para as equipes que defendeu.
O gol anulado e o legado de Leivinha no futebol
A carreira de Leivinha também foi marcada por um dos episódios de arbitragem mais comentados do futebol brasileiro. Na rodada decisiva do Campeonato Paulista de 1971, em um clássico contra o São Paulo, o meia-atacante marcou um gol de cabeça que foi anulado pelo árbitro Armando Marques, sob a alegação de que ele teria usado a mão. O lance gerou grande controvérsia e é lembrado até hoje.
Sobre o incidente, Leivinha afirmou na ocasião: “Foi uma pergunta que eu tive de responder muitas vezes. O Armando queria ser o personagem da partida. O verdadeiro juiz é aquele que passa despercebido nos jogos”. Essa declaração reflete não apenas a frustração do momento, mas também a visão de um jogador que prezava pela essência do esporte.
O legado de Leivinha transcende os títulos e os números. Ele representa uma era de ouro do futebol brasileiro, um período em que a técnica e a paixão se uniam em campo para criar espetáculos memoráveis. Sua memória permanecerá viva na história do Palmeiras e no coração dos amantes do futebol.
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