Irmã de empresária morta após cirurgia plástica pede respeito diante de ataques na internet
O luto da família de Andreia Vieira Gaspar, empresária de 51 anos que faleceu após realizar um procedimento estético em Goiânia, ganhou um novo contorno de tensão nas redes sociais. Djiane Vieira, irmã da vítima, utilizou plataformas digitais para denunciar o comportamento de internautas que, em meio às investigações sobre a morte, têm proferido julgamentos sobre a aparência da falecida e manifestado apoio irrestrito ao médico responsável pela cirurgia.
O desabafo de Djiane, registrado em vídeo publicado na última segunda-feira (31), reflete o impacto da cultura do cancelamento e da polarização digital em casos de tragédias familiares. A irmã da empresária enfatizou que o foco do debate público deveria ser a perda de uma vida e a busca por justiça, e não a validação da estética da vítima ou a defesa antecipada do profissional envolvido.
Contexto da investigação e denúncia de negligência
Andreia Vieira Gaspar, que residia na Espanha há cinco anos, retornou a Goiânia com o objetivo de realizar procedimentos estéticos faciais com o otorrinolaringologista Lessandro Martins. O falecimento ocorreu no dia 12 de agosto, após uma cirurgia que, segundo documentos da família, prolongou-se por quase dez horas, iniciando-se às 7h45 e terminando às 17h40. O laudo médico aponta como causa da morte trombose aguda e infarto pulmonar.
A família da empresária, que deixou um filho autista, sustenta a tese de negligência médica e acionou o Ministério Público de Goiás para conduzir o caso. A repercussão do óbito levou a Polícia Civil a solicitar a exumação do corpo, realizada na última sexta-feira (28), com o intuito de obter esclarecimentos técnicos mais precisos sobre a dinâmica do falecimento.
O papel da perícia e os desdobramentos judiciais
O delegado Wladimir Freire, responsável pelas investigações, confirmou que a Polícia Civil apura possíveis indícios de homicídio culposo. A exumação é vista como um passo fundamental para sanar dúvidas técnicas que ainda pairam sobre o procedimento. A Polícia Científica informou, na última quarta-feira (2), que novos materiais foram coletados para exames complementares, cujos resultados serão cruciais para o desfecho do inquérito.
A Justiça de Goiás, por meio do juiz André Nacagami, determinou que o inquérito seja concluído em um prazo de 90 dias. Caso a Polícia Civil necessite de mais tempo para a coleta de provas e análise pericial, qualquer prorrogação deverá ser devidamente justificada perante o magistrado, garantindo que o processo de apuração mantenha o rigor necessário diante da gravidade da denúncia.
Posicionamento das partes envolvidas
Enquanto a família clama por empatia e justiça, as instituições e profissionais citados adotam posturas distintas. A defesa do Hospital Ankar, por meio da advogada Cristiene Pereira Couto, divulgou nota oficial reiterando que a instituição colabora com as autoridades e confia na imparcialidade da perícia. Até o fechamento desta reportagem, a defesa do médico Lessandro Martins não havia se manifestado sobre o vídeo de desabafo da família.
O caso de Andreia Vieira Gaspar levanta questões importantes sobre a segurança em procedimentos estéticos e a responsabilidade das instituições de saúde. O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos desta investigação, mantendo o compromisso de levar ao leitor informações apuradas, contextuais e relevantes sobre os fatos que impactam a sociedade brasileira. Continue conosco para atualizações sobre este e outros temas de interesse público.



