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Governo federal articula projeto para criminalizar divulgação de apostas irregulares

Proposta mira influenciadores e operação de plataformas

O governo federal trabalha na elaboração de um projeto de lei que visa endurecer o combate às apostas esportivas e jogos de azar não regulamentados no Brasil. A medida, que deve ser enviada ao Congresso Nacional, propõe a criminalização da divulgação de plataformas de apostas que não possuem autorização para operar no território nacional, atingindo diretamente influenciadores digitais e figuras públicas que promovem esses serviços mediante remuneração.

De acordo com a minuta em análise, a prática de publicidade ou anúncio de bets irregulares poderá resultar em penas de reclusão que variam de dois a quatro anos, além da aplicação de multas. O texto prevê um agravante específico: caso o influenciador receba comissões baseadas nas perdas financeiras dos usuários atraídos para a plataforma, a pena pode ser acrescida em até dois anos, totalizando uma punição máxima de seis anos de prisão.

Limites constitucionais e o papel do Congresso

A estratégia do Executivo busca contornar uma limitação jurídica fundamental. Como a Constituição Federal veda a criação de tipos penais por meio de Medidas Provisórias (MP’s), o governo optou pelo envio de um projeto de lei. Isso significa que a proposta precisará passar pelo crivo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal antes de ter eficácia jurídica, garantindo o devido processo legislativo para a alteração do Código Penal.

Além de mirar a publicidade, o projeto pretende tipificar como crime a própria exploração e operação de casas de apostas sem licença oficial. Para essa atividade, a minuta estabelece uma pena máxima de seis anos de reclusão. A medida busca fechar o cerco contra empresas que, mesmo operando legalmente em outras jurisdições, não possuem o devido registro para atuar no mercado brasileiro.

Ações de controle e o cenário atual

O movimento legislativo ocorre em um momento de intensificação do controle estatal sobre o setor. Recentemente, o Ministério da Justiça determinou a remoção de 1.367 páginas e perfis em redes sociais, como Instagram e Facebook, que realizavam a divulgação de plataformas de apostas consideradas irregulares. A ação faz parte de um esforço coordenado para mitigar os impactos sociais e financeiros do crescimento desordenado das apostas online no país.

O debate sobre a regulação das bets tem ganhado tração diante do aumento de relatos sobre endividamento familiar e problemas de saúde mental associados ao vício em jogos. A expectativa é que o projeto de lei promova um ambiente de maior segurança jurídica e proteção ao consumidor, estabelecendo critérios claros sobre o que constitui propaganda lícita no mercado de apostas.

Para acompanhar os desdobramentos desta proposta e outras discussões relevantes sobre o cenário político e econômico nacional, continue acompanhando O Parlamento. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística pautada na transparência, na análise contextualizada e na pluralidade de temas que impactam o cotidiano dos brasileiros.

Para mais informações sobre o setor, consulte o portal oficial do Ministério da Fazenda, que coordena as diretrizes de regulação das apostas no Brasil.

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