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Quando Goiânia registrou temperaturas inferiores às do Alasca

O clima no Brasil é frequentemente associado ao calor tropical, mas episódios climáticos extremos podem desafiar essa percepção. Em maio de 2022, a capital de Goiás viveu um fenômeno que surpreendeu moradores e especialistas: Goiânia registrou uma temperatura mínima de 5ºC, um valor tão baixo que, naquele mesmo dia, superou o frio sentido em partes do Alasca, nos Estados Unidos.

A madrugada do dia 19 de maio de 2022 entrou para a história meteorológica da cidade. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aquela foi a menor temperatura registrada em um mês de maio desde a década de 1960. O contraste geográfico tornou o fato ainda mais notável: a cidade de Wrangell, no Alasca, marcou 43ºF, o equivalente a 6,1ºC, tornando a capital goiana temporariamente mais gelada que a região subártica.

O fenômeno por trás do recorde

A queda acentuada nos termômetros não foi um evento isolado, mas o resultado de uma combinação de fatores atmosféricos. A meteorologista Elizabete Alves, do Inmet, explicou que as condições daquele período foram altamente propícias para o declínio térmico. A atuação do fenômeno La Niña desempenhou um papel fundamental, facilitando o avanço de massas de ar de origem polar com maior intensidade sobre o Centro-Oeste brasileiro.

Antes desse episódio, o recorde de frio para o mês de maio em Goiânia pertencia ao ano de 1977, quando a cidade marcou 5,7ºC. Embora o registro de 2022 tenha sido marcante para o período, a história climática da capital goiana guarda marcas ainda mais baixas em outros meses. Em julho de 1985 e de 1994, por exemplo, a cidade enfrentou madrugadas de 2,8ºC e 2,6ºC, respectivamente.

Impacto regional e recordes históricos

O frio intenso de maio de 2022 não se restringiu à capital. Diversas cidades do interior de Goiás também registraram recordes de temperatura mínima, evidenciando a abrangência da massa de ar polar. Municípios como Jataí, com 3,6ºC, Rio Verde, com 3,8ºC, e Mineiros, com 4,4ºC, sentiram o impacto direto do sistema meteorológico.

O histórico do estado mostra que o frio extremo, embora raro, faz parte da variabilidade climática goiana. De acordo com o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), as temperaturas mais baixas já documentadas na história do estado ocorreram em Jataí, que chegou a registrar marcas negativas: -0,4ºC em junho de 1985 e -0,1ºC em julho de 1988.

Eventos como esse reforçam a importância do monitoramento constante das condições climáticas, que afetam desde a rotina dos cidadãos até a produtividade agrícola da região. Acompanhar as variações do tempo é essencial para compreender as mudanças no ecossistema local. Continue acompanhando O Parlamento para mais análises aprofundadas sobre o clima e os fatos que marcam a nossa realidade.

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