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Exposição precoce: um quinto dos jovens brasileiros já aposta em plataformas online, revela estudo

Apesar da proibição legal para menores de 18 anos, as apostas online já fazem parte da realidade de uma parcela significativa de crianças e adolescentes no Brasil. Uma pesquisa alarmante, realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info, trouxe à tona dados que acendem um alerta sobre a exposição precoce a esse universo. O levantamento revela que 20,4% dos estudantes de até 17 anos já realizaram alguma aposta em plataformas digitais, um fenômeno que se intensifica com o avanço da idade e se mostra particularmente prevalente entre os meninos.

Os números indicam que o contato com o mercado de apostas começa muito antes da idade permitida por lei. Já aos 11 anos, 9,5% dos estudantes afirmam ter feito alguma aposta. Essa participação cresce de forma preocupante, atingindo 32,3% aos 17 anos. Quando se consideram os estudantes com mais de 18 anos, o percentual ultrapassa os 40%, demonstrando uma rápida adesão a essas plataformas.

O Alarme da Exposição Precoce a Jogos de Azar

A pesquisa detalha que a exposição às bets se intensifica ao longo da trajetória escolar. No Ensino Fundamental II, 16,2% dos estudantes já tiveram alguma experiência com apostas. Esse percentual salta para 27,3% no Ensino Médio, o que significa que aproximadamente um em cada três alunos dessa etapa de ensino já interagiu com plataformas de jogos de azar. Esse cenário levanta questões urgentes sobre a eficácia das barreiras de idade e a influência da publicidade massiva dessas plataformas no cotidiano dos jovens.

A facilidade de acesso à internet e a proliferação de aplicativos de apostas, muitas vezes com forte apelo visual e marketing agressivo, contribuem para que a linha entre o entretenimento e o jogo de azar se torne tênue para os mais novos. A regulamentação recente das apostas esportivas no Brasil, embora necessária para o setor, também impõe o desafio de garantir que as medidas de proteção aos menores sejam rigorosamente aplicadas e fiscalizadas, evitando que essa atividade se torne um problema de saúde pública e educacional.

A Disparidade de Gênero e os Riscos Envolvidos

Um dos resultados mais marcantes do estudo é a acentuada diferença na participação entre meninos e meninas. Considerando todos os estudantes entrevistados, 27,8% dos meninos declararam já ter feito apostas online, em comparação com 12,6% das meninas. Essa disparidade se acentua ainda mais em recortes por etapa de ensino.

No Ensino Fundamental II, 19,1% dos meninos já apostaram, enquanto no Ensino Médio essa proporção alcança impressionantes 41,7%. Entre as meninas, os percentuais são de 13,1% no Fundamental II e 11,8% no Ensino Médio. A progressão é ainda mais nítida quando se observa que a proporção de meninos que apostam passa de 12,8% no 6º ano do Ensino Fundamental para 49,7% no 3º ano do Ensino Médio, ou seja, quase metade dos alunos do sexo masculino nessa fase escolar. Essa tendência pode estar ligada a fatores culturais, sociais e até mesmo à forma como as campanhas de marketing das plataformas de apostas são direcionadas, muitas vezes focando em esportes e figuras masculinas.

Percepção de Ganhos e Perdas: Uma Realidade Distorcida

A pesquisa também investigou a percepção dos jovens sobre seus resultados financeiros nas apostas. Entre os estudantes que já apostaram, 35,2% afirmam ter ganhado mais do que perderam, enquanto 27,7% dizem ter perdido mais. Um dado particularmente preocupante é que 37,1% não conseguem dizer se ganharam ou perderam mais dinheiro. Isso significa que quase quatro em cada dez estudantes com experiência em apostas não têm clareza sobre seu próprio saldo, o que pode ser um indicativo da natureza ilusória e viciante dos jogos de azar.

Os valores declarados de ganhos e perdas concentram-se principalmente nas faixas menores, entre R$ 1 e R$ 50, tanto para quem perdeu (10,8%) quanto para quem ganhou (9,6%). Essa faixa de valores, embora pareça pequena, pode representar um risco significativo para jovens com pouca ou nenhuma renda própria, além de criar um ciclo de busca por mais ganhos ou recuperação de perdas, características comuns do vício em jogos. A falta de educação financeira e a vulnerabilidade emocional na adolescência tornam esse grupo ainda mais suscetível aos perigos do jogo patológico. Para mais informações sobre os riscos do jogo, consulte fontes oficiais como o Ministério da Saúde.

O Cenário Regulatório e a Urgência de Ações Preventivas

A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, enfatizou que os resultados da pesquisa acendem um

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