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Espanha adota sistema de depósito reembolsável para impulsionar reciclagem de embalagens

A Espanha se prepara para uma mudança significativa na gestão de resíduos de embalagens, com a implementação de um sistema de depósito reembolsável sobre garrafas, latas e recipientes cartonados de bebidas. A partir de 17 de setembro de 2026, consumidores pagarão um valor adicional, de no mínimo dez centavos de euro por unidade, que será integralmente devolvido no momento da entrega do recipiente vazio. A medida, que visa impulsionar os índices de coleta e reciclagem, reacende discussões sobre a logística reversa e incentivos financeiros no Brasil.

Essa iniciativa faz parte do Sistema de Depósito, Devolução e Retorno, previsto pela legislação espanhola, e busca aprimorar a coleta de materiais descartáveis. Longe de ser um imposto permanente, o valor funciona como um incentivo para que o consumidor participe ativamente do ciclo de reciclagem, garantindo que as embalagens retornem ao sistema e sejam reaproveitadas.

O Mecanismo Espanhol de Depósito e Retorno

O funcionamento do novo sistema é relativamente simples e busca engajar o consumidor de forma direta. Ao adquirir uma bebida em garrafa plástica, lata ou recipiente cartonado de até três litros, o comprador pagará um valor extra, que será discriminado no momento da compra. Esse valor, um depósito, é recuperado quando a embalagem vazia é devolvida.

A devolução poderá ser realizada em diversos estabelecimentos comerciais, incluindo supermercados, que deverão disponibilizar máquinas automáticas ou outros sistemas autorizados para o recebimento dos materiais. A participação dos comerciantes é um pilar fundamental para a capilaridade e sucesso do programa, transformando pontos de venda em pontos de coleta e retorno, facilitando a vida do consumidor e garantindo a efetividade da logística reversa.

Metas Ambientais e a Urgência da Medida

A decisão da Espanha de implementar o sistema de depósito não é arbitrária, mas uma resposta direta à necessidade de cumprir metas ambientais estabelecidas pela União Europeia. Em 2023, o país registrou um índice de coleta separada de garrafas plásticas descartáveis de apenas 41,3%, número significativamente abaixo da meta europeia de 70% para o mesmo período.

Esse desempenho insatisfatório acionou a obrigação prevista no Real Decreto 1055/2022, que determina a adoção de mecanismos mais eficazes para a gestão de resíduos de embalagens. A urgência em elevar esses índices reflete uma preocupação crescente com o impacto ambiental do descarte inadequado, especialmente de plásticos, que poluem solos, rios e oceanos, além de representarem um desperdício de recursos que poderiam ser reintegrados à economia circular.

O Cenário Brasileiro e o Debate sobre Logística Reversa

A experiência espanhola oferece um valioso estudo de caso e pode alimentar o debate sobre a implementação de sistemas semelhantes no Brasil. Atualmente, a logística reversa de embalagens no país segue regras próprias, mas não conta com uma cobrança nacional obrigatória de depósito e retorno equivalente para bebidas.

No entanto, a ideia não é nova por aqui. Uma consulta pública federal chegou a prever mecanismos de depósito com ressarcimento após a devolução de embalagens plásticas. Além disso, propostas legislativas sobre o depósito e retorno de recipientes já tramitaram no Congresso Nacional em diferentes momentos, refletindo a busca por soluções que aumentem os índices de reaproveitamento de materiais. Em 2026, uma ideia legislativa no Senado propôs um sistema nacional para embalagens PET e alumínio, que ainda não ganhou força de lei.

Para o consumidor brasileiro, a lógica por trás de um sistema de depósito é a mesma: pagar inicialmente, devolver a embalagem e receber o valor de volta. Essa mecânica simples tem o potencial de transformar hábitos de consumo e descarte, incentivando a participação individual na construção de um futuro mais sustentável e com menor impacto ambiental. A discussão sobre a viabilidade e os benefícios de tal sistema no Brasil ganha novo fôlego com o avanço da Espanha.

Impacto para Consumidores e Comerciantes

Para os consumidores, o sistema representa uma mudança de comportamento, mas também um benefício direto. O valor do depósito, embora pago no momento da compra, não é um custo adicional permanente, mas um incentivo financeiro para a devolução. Isso pode levar a uma maior conscientização sobre o valor das embalagens e a importância da reciclagem.

Já para os comerciantes, a participação no sistema implica em adaptações logísticas e operacionais para receber e armazenar as embalagens devolvidas. Contudo, essa integração ao ciclo de reciclagem também pode gerar um impacto positivo na imagem da marca, alinhando-a às crescentes demandas por responsabilidade ambiental. A expectativa é que, a longo prazo, a medida contribua para a redução do lixo nas ruas e aterros, promovendo uma economia mais circular e sustentável.

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