Empréstimo do BID de US$ 60 milhões para PUAMA é aprovado pela Câmara de Goiânia

A Câmara Municipal de Goiânia deu sinal verde, nesta terça-feira (30), para a contratação de um empréstimo de até US$ 60 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 310 milhões, junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A aprovação, em segunda votação, do Projeto de Lei 267/2026, de autoria do prefeito Sandro Mabel (União Brasil), destina os recursos ao Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns (PUAMA), uma iniciativa de grande porte com impacto significativo na infraestrutura e qualidade de vida da capital goiana.
A medida autoriza o Executivo municipal não apenas a formalizar o financiamento internacional, mas também a abrir créditos adicionais necessários para o cumprimento das obrigações financeiras decorrentes dessa operação. A decisão representa um passo crucial para a continuidade e expansão do PUAMA, mas também reacendeu o debate sobre a transparência, os impactos sociais e a sustentabilidade de grandes projetos urbanos financiados por dívidas.
Aprovação na Câmara: detalhes da votação e o projeto
A votação do Projeto de Lei 267/2026 foi um dos pontos altos da agenda legislativa da semana. O texto, que agora segue para a sanção do prefeito, recebeu apoio majoritário dos vereadores, mas não sem resistência. A discussão em plenário evidenciou as diferentes visões sobre a gestão urbana e o papel do poder público no desenvolvimento da cidade.
Durante a sessão, o vice-presidente da Casa, Anselmo Pereira (MDB), subiu à tribuna para defender veementemente a aprovação do empréstimo. Em sua argumentação, Pereira enfatizou que negar a autorização do crédito seria equivalente a negar melhorias na qualidade de vida dos goianienses, sublinhando a importância do PUAMA para o bem-estar da população e para o avanço da infraestrutura local.
Contudo, a proposta enfrentou oposição de alguns parlamentares. O vereador Fabrício Rosa (PT) foi um dos principais críticos, apontando a ausência de estudos técnicos detalhados que justificassem a necessidade e a viabilidade do empréstimo. Além disso, Rosa levantou uma preocupação social crucial: a falta de uma contrapartida de moradia popular para as famílias que, inevitavelmente, terão que ser realocadas das áreas destinadas à nova etapa do PUAMA. Essa questão social é um ponto sensível em projetos de revitalização urbana, onde a expansão da infraestrutura muitas vezes colide com a realidade de comunidades estabelecidas.
Além de Fabrício Rosa, outros vereadores votaram contra a matéria, demonstrando uma frente de oposição que questiona os moldes do financiamento e seus potenciais impactos. Entre eles estavam Coronel Urzêda (PL), Igor Franco (Podemos), Major Vítor Hugo (PL), Kátia (PT) e Aava Santiago (PSB). A diversidade partidária entre os votos contrários sugere que as preocupações transcenderam as linhas ideológicas tradicionais, focando em aspectos técnicos e sociais do projeto.
O Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns (PUAMA): contexto e objetivos
O PUAMA é um dos projetos mais ambiciosos de Goiânia nas últimas décadas, concebido para transformar a paisagem urbana e ambiental da cidade. Seu objetivo central é a recuperação e valorização dos córregos Macambira e Anicuns, que cortam a capital, e a criação de um grande parque linear que integra áreas verdes, espaços de lazer e infraestrutura de saneamento básico.
As fases anteriores do programa já resultaram na construção de parques, pistas de caminhada, ciclovias e na melhoria da drenagem e do tratamento de esgoto em diversas regiões. A iniciativa visa não apenas a requalificação ambiental, mas também a promoção da saúde pública, a redução de riscos de enchentes e a oferta de novas opções de lazer e convívio para os moradores. O desenvolvimento de um corredor ecológico e de mobilidade é visto como um vetor para a modernização da cidade e para a melhoria da qualidade de vida urbana.
No entanto, a implementação de projetos dessa magnitude frequentemente envolve desapropriações e remoções de moradias, o que gera tensões sociais e exige um planejamento cuidadoso para mitigar os impactos sobre as populações afetadas. A crítica sobre a ausência de um plano de moradia popular para as famílias deslocadas reforça a necessidade de abordagens mais integradas que considerem tanto o aspecto ambiental e urbano quanto o social.
O papel do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e os próximos passos
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) é uma das principais fontes de financiamento multilateral para o desenvolvimento econômico e social na América Latina e no Caribe. Sua atuação abrange desde projetos de infraestrutura e saneamento até iniciativas de educação e saúde, sempre com foco em promover o crescimento sustentável e reduzir a pobreza e a desigualdade. Municípios e governos estaduais frequentemente buscam o BID para financiar projetos de grande envergadura que demandam recursos além de suas capacidades orçamentárias.
A contratação de um empréstimo junto ao BID geralmente envolve um processo rigoroso de avaliação, que inclui a análise da viabilidade técnica, econômica, ambiental e social do projeto. Os recursos são liberados em etapas, conforme o cumprimento de metas e a execução das obras. Para Goiânia, este financiamento representa uma oportunidade de acelerar a conclusão das etapas pendentes do PUAMA, mas também impõe ao município a responsabilidade de gerir os recursos de forma eficiente e transparente, além de honrar os compromissos de pagamento da dívida.
Com a aprovação da Câmara, o projeto segue agora para a sanção do prefeito Sandro Mabel. Uma vez sancionado, o Executivo poderá formalizar o contrato com o BID e dar início aos trâmites para a liberação dos recursos. A expectativa é que a nova fase do PUAMA traga benefícios significativos para a cidade, mas a atenção da sociedade civil e dos órgãos de controle permanecerá voltada para a execução das obras e, principalmente, para a garantia dos direitos das comunidades impactadas.
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