Anápolis

Disputa por indenização na Go-330 revela impasse entre família e Goinfra

A polêmica em torno da duplicação da GO-330

Um vídeo que circulou recentemente nas redes sociais, mostrando uma idosa de 78 anos ajoelhada diante de máquinas pesadas para tentar impedir a duplicação da rodovia GO-330, em Catalão, trouxe à tona uma complexa disputa judicial. O caso, que ganhou contornos dramáticos, envolve a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) e uma família que contesta o valor da indenização pela desapropriação de uma área de nove hectares.

Enquanto a cena da manifestação gerou comoção pública, a autarquia estadual apresentou números que colocam o debate em outra perspectiva. Segundo a Goinfra, o pedido de indenização feito pelos proprietários alcança a cifra de R$ 5,8 milhões. O montante, se dividido pela área total, representaria um valor de aproximadamente R$ 644 mil por hectare, quantia que o órgão classifica como desproporcional frente aos parâmetros do mercado imobiliário rural da região.

Divergências sobre o valor de mercado

Levantamentos técnicos realizados pela agência indicam que propriedades com características semelhantes na mesma localidade são negociadas em patamares significativamente inferiores, variando entre R$ 20 mil e R$ 40 mil por hectare. Sob essa ótica, a pretensão da família seria mais de 16 vezes superior à média praticada no setor, o que motivou o impasse jurídico.

A Goinfra sustenta que o processo de desapropriação seguiu todos os ritos legais. Em 20 de março, os proprietários, identificados como Maria da Paz e seu filho, Clodoaldo Ferreira da Silva, foram oficialmente notificados. Para garantir a posse da área e o prosseguimento da obra de interesse público, o Estado depositou judicialmente o valor de R$ 550,1 mil, montante definido com base em laudos técnicos elaborados por engenheiros e peritos especializados.

Decisões judiciais e o andamento das obras

A resistência da família levou o caso ao Poder Judiciário. Inicialmente, no dia 6 de maio, o juiz de Direito Luiz Antônio Afonso Júnior acatou os argumentos dos proprietários, que alegavam que a intervenção atingiria a parte mais produtiva do imóvel e questionavam a necessidade da obra. A decisão resultou na suspensão temporária dos trabalhos no trecho em questão.

Contudo, a situação foi revertida poucos dias depois. A Goinfra recorreu à instância superior, e a desembargadora Mônica Cezar Moreno Senhorelo concedeu um agravo de instrumento que derrubou a liminar anterior. No entendimento da magistrada, a paralisação da obra de infraestrutura não se justificava, autorizando a retomada das atividades de duplicação até que o mérito do recurso seja julgado definitivamente.

Contexto da infraestrutura regional

A duplicação da GO-330 é uma obra estratégica para o desenvolvimento logístico de Goiás, com um investimento total estimado em R$ 400 milhões. De acordo com a Goinfra, o projeto impactou 46 propriedades ao longo do traçado. A grande maioria dos proprietários aceitou as propostas de indenização apresentadas pelo Estado, permitindo que o cronograma seguisse sem maiores entraves.

O caso da família de Catalão permanece como um dos poucos pontos de resistência judicializada. Enquanto o processo segue seu curso nos tribunais, a obra, considerada essencial para a segurança viária e o escoamento da produção regional, continua avançando. Acompanhe o portal O Parlamento para se manter informado sobre os desdobramentos desta e de outras pautas que impactam o desenvolvimento do nosso país.

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