Estudante é impedido de realizar vestibular da UFG por uso de bomba de insulina

O sonho de ingressar no ensino superior foi interrompido de forma traumática para o estudante João Pedro Ladislau no último domingo (27). O jovem, que convive com diabetes desde a infância, foi impedido de realizar a prova do vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG) devido ao uso de um Sistema de Infusão Contínua de Insulina, dispositivo médico essencial para o controle de sua condição de saúde.
O caso levanta um debate necessário sobre a acessibilidade e a inclusão em processos seletivos de larga escala. Segundo o relato do estudante, mesmo após tentar dialogar com a coordenação do exame no local de aplicação, ele foi retirado da sala sob a justificativa de que o aparelho poderia causar interferências ou representar uma irregularidade conforme as normas vigentes.
Entraves burocráticos e falhas no sistema
A família de João Pedro aponta que a situação teve origem em dificuldades técnicas durante o período de inscrição. Alana Ladislau, mãe do estudante, afirmou que tentou anexar o laudo médico necessário para solicitar condições especiais, mas o sistema apresentou erros recorrentes. Ao buscar suporte junto ao Instituto Verbena, responsável pela organização do certame, a família foi orientada a realizar uma nova inscrição com o pagamento de uma segunda taxa, procedimento que também falhou e gerou insegurança.
A UFG, por meio de nota, esclareceu que não exige o pagamento de nova taxa para a concessão de condições especiais e negou haver orientação para a recusa de atendimento a candidatos com necessidades específicas no local de prova. A instituição reforçou que o edital estabelece protocolos claros para o uso de dispositivos eletrônicos, como bombas de insulina, marcapassos ou aparelhos auditivos.
O que dizem as regras do edital
O edital do vestibular da UFG determina que candidatos que necessitam de dispositivos metálicos ou eletrônicos devem seguir um rito rigoroso para garantir a permissão de uso durante o exame. As normas exigem que o estudante comunique formalmente a situação à Comissão Organizadora por e-mail, com antecedência mínima de três dias úteis, anexando a documentação comprobatória.
Além disso, é obrigatória a apresentação do laudo médico original no dia da prova. O Instituto Verbena defendeu que a aplicação das regras ocorre com rigor para preservar a isonomia do concurso, mas o caso de João Pedro evidencia um hiato entre a norma escrita e a realidade enfrentada por candidatos que dependem de tecnologia assistiva para manter sua saúde estável durante longas horas de avaliação.
Impacto e repercussão
O episódio gerou indignação e reacendeu discussões sobre como instituições de ensino e bancas examinadoras lidam com a inclusão. A necessidade de dispositivos como a bomba de insulina não é uma escolha, mas uma condição vital para o controle glicêmico. A exclusão de um candidato por esse motivo levanta questionamentos sobre a flexibilidade dos protocolos de segurança em face dos direitos fundamentais de acesso à educação.
Enquanto o caso segue sob análise, o impacto emocional sobre o estudante e a frustração da família destacam a importância de processos seletivos mais humanizados e sistemas de inscrição robustos, capazes de acolher demandas de saúde sem penalizar o candidato. O portal da UFG continua sendo o canal oficial para atualizações sobre o processo seletivo.
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