Notícias

Dentista investigada por deformar pacientes pediu ajuda em vídeo durante cirurgia em consultório

A dentista Valéria Ribeiro, que foi detida sob suspeita de causar deformidades em pacientes após realizar procedimentos estéticos sem a devida autorização, enviou um vídeo por mensagem solicitando orientação durante a execução de um procedimento em seu consultório, localizado em Goiânia. A revelação, divulgada pela Polícia Civil, adiciona uma camada de preocupação ao caso que já choca a comunidade.

No registro, a profissional questiona: “A minha dúvida é se eu libero essa região aqui, ou eu só faço indo aqui até perto da comissura e faço daqui da mandíbula para baixo, ou eu posso fazer em volta toda a região?”. A gravação, apurada pela TV Anhanguera, foi enviada enquanto uma paciente estava com a pele cortada e exposta, indicando um momento crítico da intervenção. A polícia agora busca identificar a pessoa com quem Valéria Ribeiro se comunicava durante esses procedimentos.

Mensagem de socorro em meio à cirurgia

O delegado responsável pelo caso, Wladimir Freire, explicou à TV Anhanguera que a dentista “teria se desentendido do que fazer na situação e teria entrado em contato com uma terceira pessoa via celular durante a prática da cirurgia”. Este detalhe levanta sérias questões sobre a qualificação e a segurança dos procedimentos realizados na clínica. A conduta de buscar auxílio externo em tempo real, com a paciente em situação vulnerável, é um dos pontos centrais da investigação.

A Polícia Civil, através da Operação Protocolo de Risco, iniciada em 2024, tem reunido relatos de vítimas desde 2023. A prisão de Valéria Ribeiro ocorreu na quinta-feira (28), e ela optou por permanecer em silêncio durante seu primeiro depoimento. Além da dentista, uma funcionária da clínica também foi presa em flagrante, acusada de tentar esconder produtos e objetos relevantes para a investigação.

Procedimentos inadequados e sequelas graves

As investigações apontam que Valéria Ribeiro realizava procedimentos invasivos em sua clínica, em um ambiente que as autoridades consideram inadequado para cirurgias de alta complexidade. Entre as intervenções realizadas pela dentista estavam rinoplastia, bichectomia, lipoaspiração de papada e cirurgias bucomaxilofaciais. A polícia enfatiza que Valéria não possuía a autorização necessária para executar os procedimentos mais invasivos no período em que foram feitos.

O número de pacientes que alegam terem sido vítimas da profissional subiu de sete para 11, conforme apuração da TV Anhanguera. As complicações relatadas pelos pacientes incluem infecções, deformidades, fibroses, necroses, cicatrizes permanentes e outras sequelas graves, que impactam profundamente a vida e a saúde dos indivíduos afetados. A gravidade das sequelas sublinha a importância da fiscalização e da qualificação profissional na área da saúde.

A atuação do Conselho Regional de Odontologia

O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) emitiu uma nota informando que Valéria Ribeiro possui registro ativo e que acompanha atentamente os desdobramentos do caso. O CROGO esclarece que infrações éticas estão sendo apuradas administrativamente, respeitando o devido processo legal. A entidade reforça que, embora procedimentos minimamente invasivos de Harmonização Orofacial (como botox e preenchimento) sejam permitidos a cirurgiões-dentistas, intervenções estéticas e cirúrgicas mais complexas na face, como lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia e blefaroplastia, exigem que o profissional seja comprovadamente especialista em Cirurgia Estética Orofacial (CEOF), conforme a Resolução CFO 286/2026.

Durante a operação, além das prisões e da interdição da clínica, foram apreendidos documentos, aparelhos eletrônicos, contratos, prontuários e equipamentos. A polícia também solicitou o bloqueio de R$ 600 mil para assegurar um possível ressarcimento às vítimas, um passo crucial para mitigar os danos causados. A advogada Caroline Bittar informou ao g1 que deixou a defesa da profissional, e a nova defesa de Valéria não foi localizada até a última atualização desta reportagem.

O caso de Valéria Ribeiro serve como um alerta sobre os riscos de procedimentos estéticos realizados por profissionais sem a devida qualificação e em ambientes inadequados. A investigação continua, buscando esclarecer todas as responsabilidades e garantir justiça às vítimas. O Parlamento segue acompanhando este e outros temas relevantes, comprometido em trazer informação de qualidade e contextualizada para seus leitores.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo