Documentos revelam que Daniel Vorcaro planejou fuga após vazar informações de operação da PF

Novos documentos da Polícia Federal, tornados públicos por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), indicam que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, possuía conhecimento prévio sobre a operação que culminou em sua prisão. Os registros sugerem que o banqueiro monitorou os passos da investigação e articulou estratégias para deixar o país pouco antes de ser detido pelas autoridades.
Monitoramento e acesso a dados sigilosos
A investigação aponta que, nas semanas que antecederam a ação policial, Vorcaro teve acesso a informações sensíveis sobre o inquérito. Relatórios da PF indicam que o ex-banqueiro chegou a anotar em seu celular nomes completos de delegados, agentes federais e procuradores da República que atuavam no caso. As anotações, datadas de outubro de 2025, revelam uma rede de contatos que, segundo os investigadores, fornecia dados internos sobre as apurações.
Em um dos registros, Vorcaro mencionou explicitamente a existência de fontes dentro do Banco Central (Bacen). O empresário descreveu essas pessoas como contatos de confiança, afirmando que as informações recebidas eram precisas e originadas de quem participava diretamente das discussões sobre o Banco Master. A preocupação com o sigilo era evidente, com o empresário evitando identificar seus informantes para não comprometer a rede de apoio.
Articulação de fuga e justificativa empresarial
A movimentação do banqueiro atingiu um nível crítico na véspera da prisão, ocorrida em 17 de novembro de 2025. Após receber mensagens urgentes, Vorcaro teria alterado seu roteiro e iniciado os preparativos para uma viagem internacional. A estratégia incluiu a tentativa de legitimar a saída do Brasil através de uma reunião virtual de emergência com o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, articulada por servidores suspeitos de cooptação.
Durante essa videoconferência, que não contou com registro em ata, Vorcaro alegou a necessidade de viajar a Dubai para assinar contratos de venda do Banco Master. No entanto, a Polícia Federal interpreta o episódio como uma manobra para criar uma justificativa formal de viagem, visando evitar suspeitas de fuga. O plano foi frustrado na noite do mesmo dia, quando o empresário foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, enquanto se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.
Repercussão e defesas
O caso ganhou contornos de crise institucional, levando o ministro Edson Fachin, presidente do STF, a determinar a abertura dos documentos sigilosos. A investigação também aponta o envolvimento de outros atores, incluindo o jornalista Diego Escosteguy, citado como beneficiário de repasses financeiros. Em nota, Escosteguy negou qualquer irregularidade, afirmando que sua relação com o empresário era estritamente profissional e pautada pela autonomia jornalística.
A defesa de Vorcaro buscou, por meio de habeas corpus, sustentar que a viagem tinha fins estritamente comerciais. Contudo, o conjunto probatório reunido pela PF, que inclui trocas de mensagens com advogados e consultas sobre a proximidade com magistrados, desenha um cenário de tentativa de obstrução e fuga. O desdobramento do caso segue sob análise das instâncias superiores, mantendo o foco do Judiciário sobre as possíveis falhas de segurança no compartilhamento de dados sigilosos.
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Para mais detalhes sobre o inquérito, consulte a Polícia Federal.




