Criador descobre fraude genética após pagar R$ 12 mil por cobertura de cavalo

A busca pela excelência genética na criação de equinos sofreu um revés inesperado para um criador amador de Uberaba, no Triângulo Mineiro. Após investir R$ 12 mil em um contrato de cobertura — o serviço de reprodução assistida entre um garanhão de linhagem selecionada e sua égua —, o proprietário descobriu, por meio de exames de DNA, que o potro nascido não era descendente do reprodutor contratado.
O caso, que ilustra os riscos inerentes ao mercado de alta performance animal, teve início com um planejamento rigoroso. Pedro, 46 anos, buscou o serviço focando em características específicas como genealogia, aptidão esportiva e temperamento. O contrato, formalizado com o haras, detalhava todas as condições, incluindo o período de permanência da égua no estabelecimento, que durou 24 dias, e o respectivo pagamento.
A revelação via exame de DNA
A fraude só veio à tona meses após o nascimento do animal, durante o processo obrigatório de registro genealógico. Para garantir a linhagem, a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha exige a confirmação de parentesco, um procedimento técnico que utiliza amostras de pelos com bulbo para extração de material genético. A divergência entre o DNA do potro e o do garanhão contratado invalidou a expectativa do criador.
Diante da prova científica, o haras inicialmente questionou a integridade das amostras coletadas. Contudo, a recusa do criador em aceitar uma nova cobertura — já que o objetivo era a genética específica do animal original — forçou uma reavaliação do conflito. O caso destaca a importância da rastreabilidade e da transparência em contratos de reprodução animal, onde a confiança técnica é a base do negócio.
Implicações legais e resolução do conflito
Embora o Código Civil brasileiro estabeleça princípios de boa-fé e probidade em contratos, a aplicação do Código de Defesa do Consumidor (CDC) em casos como este pode variar dependendo da natureza da atividade do contratante — se amadora ou profissional. Especialistas recomendam que, em qualquer negociação do setor, o proprietário mantenha um dossiê completo.
Documentos como comprovantes de pagamento, laudos veterinários, registros de mensagens e protocolos de identificação são fundamentais para garantir o direito à restituição ou abatimento do valor. No cenário em questão, a negociação extrajudicial foi bem-sucedida: o criador obteve a devolução integral do valor pago e o ressarcimento de parte das despesas documentadas, encerrando o impasse sem a necessidade de uma ação judicial.
O Parlamento mantém um compromisso contínuo com a apuração rigorosa de fatos que impactam o cotidiano e o patrimônio dos cidadãos. Para acompanhar desdobramentos de casos como este e outras notícias relevantes sobre o cenário nacional, continue acompanhando nosso portal.




