Conselho do MPF mantém Paulo Gonet na condução de processos envolvendo o Banco Master

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) consolidou, nesta sexta-feira (25), uma maioria expressiva para rejeitar o pedido de afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, dos processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o Banco Master. Com um placar de 6 a 0, o colegiado seguiu o entendimento do relator, o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino.
Entendimento sobre a competência do colegiado
A decisão do relator, que fundamentou o arquivamento integral da representação, baseou-se na interpretação de que o Conselho Superior carece de competência legal para deliberar sobre questões de impedimento ou suspeição do chefe do Ministério Público Federal. Para o relator, a estrutura administrativa e as atribuições do órgão não alcançam a prerrogativa de intervir na atuação direta do procurador-geral em casos específicos sob análise na Corte Suprema.
Divisão interna sobre a abertura de inquérito
Embora a permanência de Gonet nos casos tenha sido assegurada pela maioria, o debate sobre a necessidade de uma investigação aprofundada revelou divergências entre os conselheiros. O placar atual para a abertura de um inquérito contra o procurador-geral está em 3 a 2. Enquanto o relator e o conselheiro Celso de Albuquerque Silva votaram contra o prosseguimento, os integrantes Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski e José Adonis defenderam que outro subprocurador-geral deveria ser designado para conduzir as apurações.
Origem da representação e alegações
O procedimento no CSMPF foi motivado por uma representação formalizada por parlamentares do partido Novo. O grupo questionou a imparcialidade de Gonet após a divulgação de mensagens extraídas do aparelho celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master. Além das trocas de mensagens, o caso ganhou repercussão com a circulação de uma fotografia de abril de 2024, na qual o procurador-geral aparece ao lado de Vorcaro em um evento jurídico realizado em Londres.
Os parlamentares argumentam que a substituição de Gonet nas petições 15.556/DF e 16.662/DF seria indispensável para garantir a transparência e a independência da instituição. Em sua defesa, o procurador-geral refutou qualquer vínculo de amizade ou interesse pessoal com o banqueiro. Segundo Paulo Gonet, o encontro em Londres ocorreu em um ambiente público com diversos convidados, e eventuais contatos telefônicos, mediados pelo advogado Ciro Soares, não teriam abordado temas relacionados às suas funções na Procuradoria-Geral da República. Mais detalhes sobre o andamento das investigações no STF podem ser consultados no portal oficial do Supremo Tribunal Federal.
O Conselho, composto por dez integrantes, segue acompanhando os desdobramentos do caso. O Parlamento continuará monitorando as movimentações do Ministério Público Federal e os impactos dessa decisão para a integridade das instituições brasileiras. Acompanhe nossas atualizações para se manter informado sobre os fatos que moldam o cenário político e jurídico do país.



