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Entenda por que o céu de Goiás ganha tons avermelhados durante a estiagem

O espetáculo visual que transforma o horizonte de Goiás em uma paleta de tons alaranjados e avermelhados durante o entardecer não é apenas uma curiosidade estética. O fenômeno, que tem chamado a atenção de moradores em diversas cidades do estado, é o resultado de uma combinação complexa entre condições meteorológicas extremas, poluição atmosférica e a física da luz solar.

A física por trás do fenômeno óptico

O céu avermelhado ocorre devido a um processo de dispersão da luz. Em condições normais, a luz do Sol atravessa a atmosfera e as partículas de ar espalham as ondas mais curtas, como o azul e o violeta, o que confere ao céu sua coloração característica durante o dia. No entanto, no poente ou na alvorada, a luz percorre um caminho muito mais longo através da camada atmosférica.

Segundo o diretor do clube de astronomia Plêiades do Sul, Ary Martins, o excesso de partículas sólidas suspensas no ar, como poeira e fuligem, intensifica esse processo. Quando a atmosfera está saturada, o bloqueio das ondas curtas é total, e as partículas passam a espalhar também os comprimentos de onda mais longos, correspondentes ao laranja e ao vermelho. Esse bloqueio e dispersão forçada criam o efeito visual que muitos descrevem como um horizonte que parece estar em chamas.

O impacto da estiagem e das queimadas

A intensidade do fenômeno está diretamente ligada à severa estiagem que atinge o Centro-Oeste. André Amorim, gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), explica que o acúmulo de poeira é potencializado pelo solo extremamente seco, que perde a umidade e se torna facilmente carregado pelos ventos.

A situação é agravada por fatores externos. Elisabete Alves, coordenadora do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aponta que correntes de vento conhecidas como “jatos de baixos níveis” transportam fumaça e fuligem provenientes de queimadas na Amazônia e no Mato Grosso. Esses aerossóis sobrecarregam a atmosfera goiana, servindo como o suporte físico necessário para que o fenômeno óptico ganhe proporções tão marcantes.

A transição sazonal e a limpeza da atmosfera

O alívio para essa condição atmosférica depende da mudança de estação. Com a chegada da primavera, a passagem de frentes frias traz instabilidades que resultam em pancadas de chuva. Essas precipitações atuam como um filtro natural, “lavando” a atmosfera ao assentar a poeira e a fuligem que estavam em suspensão.

Entretanto, como Goiás vive um período de transição entre o ciclo seco e o úmido, esses episódios de chuva costumam ser breves. Após a passagem das frentes frias, a massa de ar seco tende a retomar o domínio sobre o estado, elevando novamente as temperaturas e reduzindo a umidade relativa do ar, o que faz com que o céu avermelhado retorne até que o regime de chuvas se estabilize de forma definitiva.

O Parlamento segue acompanhando as condições climáticas e os impactos ambientais em Goiás. Para continuar bem informado sobre temas que afetam o seu cotidiano e entender as dinâmicas que moldam o nosso clima, acompanhe nossas atualizações diárias e reportagens aprofundadas.

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