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Histórico sombrio: avião que caiu em Mato Grosso com três mortos já foi flagrado com 60 kg de cocaína

A queda de um avião em uma fazenda de Água Boa, no Mato Grosso, que resultou na morte de três pessoas na última quinta-feira (10), trouxe à tona um passado obscuro da aeronave. Investigações revelam que o mesmo aparelho já havia sido apreendido pela Polícia Federal (PF) em Goiânia, há nove anos, em uma operação de combate ao tráfico internacional de drogas. Naquela ocasião, mais de 60 quilos de cocaína foram descobertos escondidos em diversas partes da estrutura, inclusive na asa.

O acidente recente, que destruiu a aeronave em chamas e vitimou seus três ocupantes, lança luz sobre a complexa trajetória de bens apreendidos em crimes e os riscos associados a voos não autorizados. A Polícia Civil de Mato Grosso, em conjunto com outras autoridades, agora busca desvendar as circunstâncias que levaram o avião, que estaria sem condições de voo, a decolar de Goiânia e cair a cerca de 20 quilômetros da área urbana de Água Boa.

Apreensão de 2017: cocaína escondida na aeronave

A história da aeronave com as autoridades começou em 2017, quando a Polícia Federal iniciou uma investigação em um hangar localizado às margens da GO-070, em Goiânia, após receber uma denúncia anônima. A operação culminou na prisão de dois irmãos gêmeos de nacionalidade espanhola, que foram encontrados no local.

Durante a vistoria inicial, os agentes federais localizaram cocaína no assoalho do avião. Contudo, uma inspeção mais minuciosa revelou que uma quantidade ainda maior de entorpecentes estava habilmente camuflada na asa da aeronave. Ao todo, foram apreendidos mais de 60 quilos da droga. Os irmãos, na época, negaram qualquer conhecimento sobre a presença da cocaína, alegando desconhecer o carregamento ilícito. Eles foram encaminhados à sede da PF, e o avião permaneceu sob custódia judicial.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou, à época, que o avião possuía autorização para entrar no Brasil, com um plano de voo para Goiânia expedido em 26 de outubro de 2017. Essa autorização, no entanto, não isentava a aeronave de ser utilizada em atividades criminosas, como o tráfico internacional de drogas.

O longo caminho judicial e os leilões frustrados

Após a apreensão, a aeronave ficou vinculada a um processo judicial por anos, aguardando uma destinação legal. Em 2020, o avião, avaliado em R$ 180 mil, foi levado a leilão como parte do processo de alienação de bens apreendidos em investigações de tráfico de drogas. No entanto, não houve interessados em arrematar o bem.

A situação se repetiu em dezembro de 2023, quando a aeronave foi novamente incluída em um leilão eletrônico, sem sucesso. A dificuldade em vender aviões com histórico de uso em crimes é um desafio comum para as autoridades, que precisam gerenciar a manutenção e a guarda desses bens enquanto tramitam os processos judiciais.

Segundo informações da Polícia Civil de Mato Grosso, levantamentos preliminares indicam que o avião teria sido adquirido por um novo proprietário há cerca de quatro meses, mas permanecia em um hangar em Goiânia. A polícia também ressaltou que, antes da decolagem fatal, a aeronave estaria sem as condições necessárias para voo, levantando sérias questões sobre a segurança e a legalidade da operação.

Decolagem não autorizada e a queda fatal em Água Boa

Na manhã de quinta-feira, por volta das 8h, o novo proprietário e outras duas pessoas teriam embarcado no avião em Goiânia. A decolagem, conforme aponta a investigação da Polícia Civil de Mato Grosso, ocorreu sem qualquer autorização das autoridades aeronáuticas. O destino final do grupo e o propósito do voo ainda são desconhecidos.

A aeronave, que não tinha plano de voo registrado, caiu em uma propriedade rural em Água Boa, no Mato Grosso. O impacto foi tão severo que o avião foi completamente destruído pelo fogo. Os bombeiros que atenderam à ocorrência encontraram os três ocupantes já sem vida. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) de Mato Grosso informou que os destroços concentrados em um único ponto sugerem uma queda vertical, sem indícios de tentativa de pouso forçado.

Matrícula irregular e os desafios da investigação

Um dos pontos cruciais da investigação atual é a identificação da aeronave. Quando apreendida em 2017, ela possuía uma matrícula norte-americana. Contudo, a Polícia Civil de Mato Grosso observou que o avião acidentado apresentava uma identificação que simulava um registro brasileiro. Um especialista em aviação consultado pela TV Anhanguera confirmou que essa matrícula brasileira não correspondia a uma aeronave registrada e que o avião não estava em condições de aeronavegabilidade.

A Polícia Civil e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) estão trabalhando em conjunto para apurar todas as circunstâncias do acidente, incluindo a origem da aeronave, a identidade das vítimas e os motivos da decolagem irregular. Apesar do histórico de apreensão por tráfico de drogas, as autoridades ressaltaram que, até o momento, não há indícios de que os três ocupantes transportassem entorpecentes no voo que culminou na tragédia. As identidades das vítimas ainda não foram divulgadas.

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