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Programas sociais e debate sobre jornada de trabalho impulsionam aprovação de Lula, revela Quaest

A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem registrado uma melhora significativa em sua aprovação popular, impulsionada por uma série de programas e debates focados na economia e nas condições de trabalho. A constatação é da recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, que aponta um cenário mais favorável para o governo às vésperas de um ano eleitoral crucial.

Os dados da Quaest indicam que a aprovação do governo atingiu 48%, o melhor índice para Lula desde o final de 2024. Pela primeira vez em um período recente, o percentual de aprovação superou numericamente a desaprovação, que ficou em 47%, enquanto 5% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A Recuperação da Popularidade Presidencial

A aprovação do governo Lula tem mostrado uma trajetória ascendente desde abril, com uma variação positiva de cinco pontos percentuais. Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), essa recuperação pode ser atribuída à capacidade do governo de entregar resultados tangíveis para um segmento específico do eleitorado, que se sente diretamente beneficiado pelas políticas implementadas.

Nunes destaca que as iniciativas governamentais na economia popular estão sensibilizando, em particular, o eleitorado independente. Este grupo, que não se alinha nem ao espectro bolsonarista nem ao lulista, tende a ter uma abordagem mais pragmática do que ideológica ao avaliar a gestão. Para eles, a efetividade das medidas no dia a dia é o principal critério de julgamento.

Medidas de Economia Popular e Seu Alcance

Três pilares são apontados como os principais motores dessa melhora na percepção pública: a redução do endividamento através do programa Desenrola, a expectativa de melhores condições de trabalho com o debate sobre a escala 6×1 e o aumento do padrão de vida proporcionado pela elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Essas ações, em conjunto, criam um ambiente de otimismo em setores variados da sociedade.

A pesquisa Datafolha de junho já havia sinalizado uma queda no pessimismo econômico entre os brasileiros, de 35% para 26%. Naquela ocasião, especialistas já creditavam a melhora da percepção sobre a atividade econômica ao programa Desenrola, lançado no início de maio. Outros fatores, como estímulos econômicos em ano eleitoral e até a Copa do Mundo, também foram mencionados como influências positivas.

A Percepção Detalhada das Iniciativas Governamentais

A análise da Quaest detalha a recepção de cada uma das medidas. No caso da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, entre os 32% dos consultados que afirmaram ter se beneficiado, o percentual daqueles que relataram não ter sentido diferença no bolso caiu de 50% em fevereiro para 39% em julho. Aqueles que sentiram um aumento significativo na renda subiram de 15% para 24% no mesmo período.

Em relação ao Novo Desenrola, 55% dos entrevistados consideram o programa uma boa ideia, um aumento em comparação aos 50% registrados em maio. A percepção de que o programa ajuda um pouco caiu de 22% para 20%, enquanto o percentual de endividados que relataram ter muitas dívidas recuou de 28% para 21%. O programa visa trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e permite a renegociação de dívidas atrasadas entre 90 dias e dois anos, abrangendo cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

O debate sobre a escala de trabalho 6×1 também mantém forte apoio popular. O percentual de pessoas a favor da redução da jornada permaneceu em 69% entre julho do ano passado e o momento atual, com um pico de 72% em dezembro, quando a discussão ganhou força nas redes sociais. A proposta de fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais já foi aprovada pela Câmara em maio e aguarda a decisão do Senado.

O Cenário Eleitoral e os Desafios da Oposição

No contexto de uma eventual disputa de segundo turno, a pesquisa Quaest projeta uma vitória de Lula com 45% dos votos contra 37% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), uma vantagem de oito pontos percentuais. Brancos, nulos e indecisos somam 18%.

A análise de Felipe Nunes sugere que a queda de Flávio Bolsonaro, especialmente entre a direita não bolsonarista, pode ser atribuída a erros de campanha, como controvérsias envolvendo Michelle Bolsonaro e o senador, além do caso Dark Horse. Esse cenário indica que uma parcela do eleitorado busca alternativas, mas ainda não encontrou um nome consolidado para apoiar. Para mais informações sobre pesquisas e análises políticas, consulte fontes confiáveis como a Folhapress.

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