Presidentes de entidades de policiais penais se agridem antes de reunião em Goiás

Um vídeo que rapidamente viralizou nas redes sociais expôs um confronto físico entre representantes de duas importantes entidades de policiais penais em Goiás. O incidente, que ocorreu na última quarta-feira (20) antes de uma reunião oficial, levanta questões sobre a conduta de lideranças e a gestão de conflitos dentro de categorias profissionais que lidam diretamente com a segurança pública.
As imagens mostram Maxsuell Miranda das Neves, presidente do Sindicato dos Policiais Penais de Goiás (Sinsep), desferindo um soco contra Adalto Nunes, presidente da Associação dos Policiais Penais do Estado de Goiás (Asspego). A cena, que precede um encontro no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, no Setor Central de Goiânia, gerou ampla discussão sobre a imagem da Polícia Penal e a forma como as divergências são tratadas.
O incidente no Palácio Pedro Ludovico Teixeira
O palco da confusão foi o 9º andar do Palácio Pedro Ludovico Teixeira, um local de relevância administrativa no estado. De acordo com o relato de Maxsuell Miranda ao g1, a agressão ocorreu por volta das 17h da última quarta-feira (20), momentos antes de uma reunião agendada. Ele afirmou que sua atitude foi uma reação direta a agressões anteriores supostamente cometidas por Adalto Nunes contra dois policiais penais que o acompanhavam.
A tensão pré-reunião escalou rapidamente. Maxsuell detalhou que Adalto teria dado um tapa e uma cabeçada nos policiais que estavam com ele. Um dos agentes, inclusive, teria saído de uma UTI há apenas 15 dias, após um princípio de AVC, o que, segundo Maxsuell, intensificou sua reação em defesa do colega.
Versões em confronto e as motivações
A origem do desentendimento, conforme ambos os envolvidos, está ligada a um documento. Maxsuell Miranda das Neves explicou que a altercação começou quando Adalto Nunes foi abordado para assinar um documento que exigia a prestação de contas das finanças da Associação dos Policiais Penais do Estado de Goiás (Asspego). A recusa em assinar e a presença de um policial filmando a situação teriam provocado a reação de Adalto, que, segundo Maxsuell, agrediu os dois acompanhantes.
Em um vídeo que ele próprio gravou e que também circula nas redes sociais, Adalto Nunes confirmou que a confusão teve início com a entrega do documento. Ele alegou que não queria assinar sem antes ter a oportunidade de lê-lo. Na gravação, Adalto mostra o rosto, afirmando ter levado um murro na boca e lamentando a “vergonha que a Polícia Penal passou” com o episódio.
Legítima defesa e a rivalidade entre as entidades
Questionado sobre arrependimento, Maxsuell Miranda das Neves defendeu sua ação como legítima defesa de terceiros. Ele ressaltou a condição de saúde de um dos policiais agredidos, reforçando o caráter protetivo de sua intervenção. O presidente do Sinsep reconheceu que a relação entre ele e Adalto não é amistosa, admitindo que o confronto físico não deveria ter acontecido, mas reiterou que agiu após seus colegas serem atacados.
O Governo de Goiás, por meio de nota, confirmou o desentendimento e informou que a discussão foi motivada por uma “rixa antiga” entre os dois líderes sindicais, que infelizmente evoluiu para o contato físico. A nota também destacou que os seguranças do Palácio Pedro Ludovico Teixeira agiram prontamente para encerrar a briga e prestar assistência aos envolvidos, enfatizando que nenhum dos sindicalistas atua no Centro Administrativo e que os fatos não têm relação com a administração estadual. A rivalidade entre entidades representativas de uma mesma categoria é um fenômeno comum, mas a escalada para a violência física em um ambiente institucional é um alerta para a necessidade de canais de diálogo e resolução de conflitos mais eficazes. A atuação dos policiais penais é fundamental para a segurança pública, e a imagem de suas lideranças impacta diretamente a percepção da categoria.
Repercussão e desdobramentos legais
O incidente rapidamente ganhou as redes sociais, gerando debates sobre a conduta de líderes sindicais e a importância da ética e do profissionalismo, especialmente para aqueles que representam forças de segurança. A visibilidade do vídeo amplificou a discussão sobre a responsabilidade de figuras públicas e o impacto de suas ações na credibilidade das instituições que representam.
Maxsuell Miranda das Neves afirmou que registraria o caso na 1ª Delegacia de Polícia de Goiânia na manhã desta quinta-feira (21). Até a última atualização da reportagem, não havia informações sobre um possível registro de ocorrência por parte de Adalto Nunes contra Maxsuell. A Polícia Civil de Goiás não havia retornado sobre o questionamento do g1 a respeito. O desdobramento legal do caso será crucial para determinar responsabilidades e pode influenciar a dinâmica das relações entre as entidades de policiais penais no estado.
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