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Acordo EUA Irã: paz é anunciada após meses de conflito, com assinatura na Suíça

Após mais de três meses de intensos confrontos e uma crise internacional que elevou tensões globais, os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra. A cerimônia oficial de assinatura está marcada para a próxima sexta-feira, 19 de junho, na Suíça, conforme anunciado pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, em suas redes sociais na noite de domingo, 14 de junho, já madrugada de segunda-feira no horário local.

O presidente americano, Donald Trump, já havia antecipado no sábado, 13 de junho, que um acordo seria assinado em 24 horas. Contudo, a declaração foi recebida com certo ceticismo, dada a série de “alarmes falsos” anteriores. A confirmação do Paquistão, um dos mediadores regionais, trouxe um novo fôlego às esperanças de pacificação.

Pressões Domésticas e o Cenário Político Americano

O acordo de paz emerge em um momento crucial para a administração Trump, que enfrentava crescente pressão interna. A guerra havia provocado uma queda significativa na aprovação popular do presidente, atingindo 35%, o pior índice de seu segundo mandato, em comparação com a média de 52% no início, segundo compilações do New York Times.

Além da baixa popularidade, os Estados Unidos lidavam com uma alta recorde nos preços do diesel e da gasolina, impactando diretamente o bolso dos consumidores. Com as eleições de meio de mandato se aproximando em novembro, o Partido Republicano via-se em desvantagem nas pesquisas, tornando a busca por um acordo de paz uma prioridade política e econômica.

Termos do Acordo e a Reabertura de Hormuz

Embora os termos exatos do acordo EUA Irã não tenham sido totalmente revelados, o primeiro-ministro paquistanês indicou que o pacto prevê o “término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano”. Fontes próximas às negociações, citadas pela agência Reuters, afirmaram que a minuta do acordo também reabriria o estratégico Estreito de Hormuz.

O estreito, vital para o comércio global de energia, estava praticamente fechado há cem dias, desde o início dos bombardeios de Israel e Estados Unidos contra o Irã. Seu fechamento causou um salto no valor do barril de petróleo, que passou de cerca de US$ 72 antes de 28 de fevereiro para um pico de US$ 126 no final de abril, gerando instabilidade nos mercados internacionais.

O tratado também incluiria o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e a prorrogação de um cessar-fogo. A questão do programa nuclear do Irã, um dos pontos mais sensíveis, seria abordada em um período de 60 dias de negociações adicionais. Uma alta autoridade iraniana revelou à Reuters que os Estados Unidos concordariam em liberar US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados, enquanto o Irã se comprometeria a não produzir ou adquirir armas nucleares, mantendo o status quo nuclear até um acordo final.

Tensões Regionais e a Posição de Israel

Apesar do avanço diplomático, as tensões regionais persistiram. No mesmo domingo, 14 de junho, um ataque israelense ao Líbano resultou na morte de duas pessoas e deixou quatro feridas, segundo a agência estatal de mídia libanesa. A ofensiva ocorreu após Tel Aviv acusar o grupo extremista Hezbollah, aliado de Teerã, de disparar projéteis contra o norte de Israel.

O negociador iraniano Mohammad Baqer Qalibaf criticou o ataque, sugerindo que os Estados Unidos não teriam “a vontade e a capacidade de cumprir seus compromissos”. O Ministério das Relações Exteriores do Irã responsabilizou os EUA e alertou para uma “resposta contundente”. Até Donald Trump, em sua plataforma Truth Social, lamentou o ataque a Beirute, especialmente “em um dia tão especial, quando estamos tão perto de um acordo de paz com o Irã”.

Israel, por sua vez, afirmou não fazer parte do acordo planejado entre EUA e Irã. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu divergiu publicamente de Trump em relação às exigências americanas de que Israel freasse suas ações militares no Líbano para facilitar o acordo. O conflito entre Israel e o Hezbollah foi reacendido pelo início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã em fevereiro, evidenciando a complexidade e a interconexão dos conflitos na região.

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